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Flor solitária...

Eu sou como a flor que nasce nas pedras, estou incansavelmente lutando para sobreviver todo dia, toda hora , o tempo inteiro.                                                   O sol vem abater-me com sua fúria infernal, e as pedras vem sufocar minha raiz, e em busca de terra pra me proteger  estou enfraquecendo a cada dia, não é culpa de ninguém eu ter nascido num lugar tão devastado pelo sofrimento, talvez fosse preciso para que este lugar tivesse algo a oferecer ao mundo. O único afago que recebo é a chuva que me acaricia e me fortalece para que eu possa sobreviver neste lugar, aqui é como uma prisão ao céu aberto, eu não sei se algum dia sairei daqui. Fico imaginando um pasto verde forrado de flores como eu, e todas sorriem para o sol pois ali ele não as castiga, mais sim, as conforta com seu calor. E quando me parece que tudo está perdido a chuva vem afagar-me com suas gotas celestiais, e em todo canto que olho ninguém é igual a mim, não há um ser para me fazer companhia. A minha cor era forte quando nasci, mas o castigo a tornou amarelada, mas não um amarelo bonito como o da foto, mas um desgastado do tempo.                                                                      O sofrimento está me deixando sem forças, e a morte começa a me rondar.Não sei se poderei resistir muito tempo, minha vida escorrega pelas minhas pétalas, como lágrimas escorrem de um Rosto.

                                     


Sara.

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Deixa

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trazendo a tona o barulho
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Deixa
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Sara.

*Livro: "O Beijo no Asfalto", Nelson Rodrigues.
*Música: "Provável Canção de Amor para Estimada Natália", Banda Mulamba.

Contraponto.

Foi quando um contraponto aconteceu...           Meu andar altivo encontrou seu andar ensimesmado Meu olhar furtivo encontrou seu olhar doce. Minhas longas conversas encontraram suas perguntas profundas e certeiras. Foi quando eu vi a idade da minha alma Ao me deparar com a idade da sua. Foi nas nossas conversas inteligentes que vi os nossos interesses em comum. Foi quando você segurou minha mão, que eu percebi o tamanho do meu passo. Assim que você se mostrou confusa eu vi nascer a certeza da impermanência entre nós. Nós somos um contraponto, Que ora se encontra, ora se distancia. Mas seu sorriso terno E meu olhar amoroso se misturam Quando a gente se olha no começo do dia. Minha alta exposição encontrou seu mistério. Minha mão encontrou seu cabelo E sua boca a minha orelha E foi amor à primeira vista entre eles. Mas também foi onde você não me prometeu a eternidade E eu aceitei a transitoriedade
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