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Perdas.

``Ele estendeu a mão em direção á porta,mas já era tarde demais, quem estava na cama não responderia, nunca mais. Depois daquele dia não entrou mais naquele quarto...``
A perda nos acompanha a vida inteira,
desde o nascimento quando somos separados
do útero da nossa mãe até a morte,quando deixamos a fragilidade da nossa existência.
Nós vemos a perda como algo ruim e indesejável;
indesejável sim, mas ruim talvez não.
Estou lendo um livro chamado ``Perdas Necessárias``, de Judith Viorst, e até agora tenho aprendido muito com ele, nesse livro ela aborda a perda como ela realmente é: um processo ou vários processos que todo ser humano passa na vida e que são necessários para o nosso crescimento como ser. 
Por sermos acometidos pela perda muito cedo, detestamos ela justamente por nos tirar dessa nossa comodidade cotidiana.
Não suportamos a ideia dela ser necessária, mas o que não vemos é que  o sentimento que vem com a perda seja a perda de um ente querido, de uma vaga de emprego, de um relacionamento, ou até mesmo de um sonho que temos de abrir mão...é esse sentimento que não suportamos, ele se caracteriza por uma angústia, uma dor, o sofrimento, a decepção, o desapontamento; todos nos remetem o nosso medo, o medo da Perda.
E mesmo a perda sendo inevitável procuramos incessantemente evitá-la, quando na verdade evitar a perda
só a torna pior.
O que quero dizer é que a aceitação da perda deve ser imediata, pois uma reação contrária como a raiva, torna o processo de crescimento ocasionado por essa perda inútil e incapaz de acontecer.
É claro que o sofrimento que qualquer perda causa existirá;mas cabe a nós remediar esse sentimento.
Com a aceitação e compreensão  de que a perda pode ser necessária, ela chegará e poderemos crescer e adquirir uma visão ampla desse nosso mundo, dos nossos sentimentos e da fragilidade da qual todos somos constituídos, causando no fim de tudo um amadurecimento e uma evolução do ser humano.

Sara.

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*Música: "Provável Canção de Amor para Estimada Natália", Banda Mulamba.

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