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Mostrando postagens de Julho, 2013

Ilusão.

Abdiquei de amar,
decidi ter uma vida
onde não há espaço para amar um outro alguém.
No entanto, hoje estive triste, pois a verdade vem se por
sobre meu rosto e não pude negá-la.
Aqui dentro de mim,
se esconde a pior ou a melhor das minhas vontades,
a vontade  de ser amada e de amar um outro alguém.
A verdade que está estampada em minha face,
e que não ouso dizer em voz alta,
é essa vontade que me faz viver.
Anseio todos os dias por encontrar o amor,
o procuro desesperadamente nas ruas,
nas esquinas, nas árvores, no ônibus, enfim, em tudo que me cerca.
Eu procuro o amor em cada pessoa que passa por mim na rua,
em cada ser que senta ao meu lado, na biblioteca encaro todos os rostos, que afundados nos livros, não notam que estão sendo observados.
Procurar é minha sina.
Hoje estive triste, pois me ocorreu um breve pensamento
que me assustou e me esclareceu.
Amor, o Amor, meu Amor, não o acharei, não devo, não quero (quero?),
não posso encontrá-lo, não vou achá-lo jamais.
Escolhi um caminh…

Casulo...

O casulo se rompe,
sinto dor.
A luz é ardente, o ar é sufocante.
Tenho medo dos que habitam o lado de fora do meu casulo.
Não quero me desfazer do meu abrigo.
Aqui posso evoluir só,
e plenamente à vontade.
Eu sei o que me aguarda aí fora.
O medo da rejeição, o medo da solidão vão fazer eu me sujeitar à "normalidade"
que comanda este mundo.
Saiba de tudo, veja tudo, esteja em tudo, entenda tudo, tenha uma opinião sobre tudo...
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.
Mal saí do meu casulo, e já sinto as influências me rondando, me atingindo, me afligindo.
Agora prestes a sair e alçar voo, tenho medo de perder minha solidão pela vontade de ser aceita e amada.
Não quero sair, quero somente interromper minha aflição, quero ficar só.
O casulo se quebra, não posso impedir, ele me empurra para saltar, para voar, para cair.
Eu só queria permanecer em meu casulo, em meu abrigo.
Estou perdida em mim, em meus devaneios e em meus medos…

Ponto de Partida.

Era tarde da noite, ela acordou e foi a cozinha beber um copo de água.
A garganta seca, o corpo cansado, a mente inquieta.
Sabia que precisava decidir, mas os pensamentos se misturavam e transformavam sua mente em um caos.
Foi até a janela, sentou-se e como todas as noites, tornou a observar a lua.
Não há motivos para fazer isso, esse hábito já está se tornando um ritual, ela pensava.
Todas as noites em que a lua surgia, ela observava, sem razão, simplesmente porque era legal ficar olhando a lua apresentar-se a cada noite em diferentes formas.
Essa noite algo a perturbava, algo que seu Pai havia lhe dito.
Certo dia quando conversavam, seu Pai lhe disse que nenhum ser humano conseguiria viver isolado, afastado de relacionamentos e das pessoas, e que para um ermitão, era extremamente trabalhoso ter de se afastar das pessoas, que isso demandava tempo e determinação.
Enquanto escutava aquelas palavras ela pensava, se ele soubesse que é isso que planejo para minha vida,
e de repente veio u…

...

Basta,
de palavras não ditas.
Dor,
do amor não contido.
Silêncio,
que perturba meu peito.
Sabor,
do desejo de um beijo.
Vento,
que sopra cores.
Lágrimas,
que escorrem de um rosto.
Sonhos,
que acalentam ilusões.
Perfume,
que permeia meu ar.
Sorriso,
que me cega sem aviso.
Você,
que nada sabe, que nada vê.
Eu,
que tudo faço, que tudo quero.
Nós,
que não existe, ilusão.
Saber,
que amar é sofrer.
Correr,
das loucuras do amor.
Fugir,
de mim, de nós, de você.
Por quê?
não há explicação para o que nunca aconteceu.

Sara.

Basta.

Estou aqui olhando o teto do meu quarto,
me lembrando das paixões que tive, nunca correspondidas,
me lembrando de tudo que vivi, nessa minha breve vida,
me lembrando de alguém que não conheço, mas que não sai da minha cabeça,
me lembrando de mim, de quem sou ou o que estou sendo, e pensando no que serei amanhã.

Não sei dizer se já amei, é provável que nunca tenha sido tomada por este sentimento.
Não me preocupo com isso, acredito já ter maturidade suficiente para amar,
mas o que me perturba é saber que sofrerei novamente e dessa vez mais tempo
do que naquelas breves paixões da adolescência.

Estou aqui novamente me lamentando,
se o que estou sentindo é amor,
eu não quero amar.
Basta de ilusões, vou me desprender deste mundo,
voar além do céu que me cobre,
porque no fundo eu sei que estarei sozinha de noite.

Ao deitar sobre a grama e ver o céu estrelado, minha mente viaja querendo encontrar seu rosto,
mas em mim não há espaço para sofrimento, decidi não te contar, sufocar em mim
o que s…

Em mim.

Perdi a noção de mim,
já não me encontro no espelho.
Em vão procuro um olhar
que me carregue no interior para sumir,
não voltar, não resistir, me entregar.

Perdida estou a muito tempo,
perdida sigo a muitos anos,
perdida estou e vou adiante.

Queria me desfazer de mim,
para que eu não torne a repetir erros do passado.

Sinto algo forte no peito,
não quero sentir, não controlo,
quero desistir antes que me devore.
A dor, a cor, o tom, o sabor do amor,
que não tive, que não tenho, que jamais terei...
em mim.

Fonte de solidão, eu sou.
Fonte de escuridão, eu estou.
Fonte de pranto e confusão.
Fonte de nada
talvez fonte de mentiras que invento para esconder
as verdades que não suporto...
em mim.

Sinto o tempo passar
depressa demais,
já não posso acompanhar.

Quero me perder em um abraço
Inalcançável.
Quero me achar nos olhos de alguém.

À noite o céu é negro e lindo,
e eu o guardo...
em mim.

Sara.


Van gogh- A Noite Estrelada.