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Basta.

Estou aqui olhando o teto do meu quarto,
me lembrando das paixões que tive, nunca correspondidas,
me lembrando de tudo que vivi, nessa minha breve vida,
me lembrando de alguém que não conheço, mas que não sai da minha cabeça,
me lembrando de mim, de quem sou ou o que estou sendo, e pensando no que serei amanhã.

Não sei dizer se já amei, é provável que nunca tenha sido tomada por este sentimento.
Não me preocupo com isso, acredito já ter maturidade suficiente para amar,
mas o que me perturba é saber que sofrerei novamente e dessa vez mais tempo
do que naquelas breves paixões da adolescência.

Estou aqui novamente me lamentando,
se o que estou sentindo é amor,
eu não quero amar.
Basta de ilusões, vou me desprender deste mundo,
voar além do céu que me cobre,
porque no fundo eu sei que estarei sozinha de noite.

Ao deitar sobre a grama e ver o céu estrelado, minha mente viaja querendo encontrar seu rosto,
mas em mim não há espaço para sofrimento, decidi não te contar, sufocar em mim
o que sinto, e depois que importância teria você saber que eu acho que estou amando...
você.

Dizem que sou louco por eu ter um gosto assim...
gostar de quem não gosta de mim.
Jogue suas mãos para o céu e agradeça se acaso tiver, alguém que você gostaria que estivesse sempre com você, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê.- Na rua, na chuva, na fazenda...-Clarice Falcão e Tiago Iorc.

Sara.

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Deixa

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Deixa,
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Deixa,
Deixa o tempo andar devagar
e te olhar
para ver como é que você está se fazendo
se moldando, se construindo.

Deixa,
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trazendo a tona o barulho
que antes estava aqui

Deixa,
Deixa a sua vontade dizer firme que te incomoda o desejo
O desejo de um outro alguém
Deixa
Deixa a gente ganhar espaço,
alçar voos distantes.

Deixa,
Deixa eu pousar um instante
para recuperar o fôlego
Depois do esforço
de tentar te fazer apaixonar...

Deixa,
Deixa o espaço se fazer entre nós
e quando ele tiver se instalado
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Sara.

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Sara.

*Livro: "O Beijo no Asfalto", Nelson Rodrigues.
*Música: "Provável Canção de Amor para Estimada Natália", Banda Mulamba.

Contraponto.

Foi quando um contraponto aconteceu...           Meu andar altivo encontrou seu andar ensimesmado Meu olhar furtivo encontrou seu olhar doce. Minhas longas conversas encontraram suas perguntas profundas e certeiras. Foi quando eu vi a idade da minha alma Ao me deparar com a idade da sua. Foi nas nossas conversas inteligentes que vi os nossos interesses em comum. Foi quando você segurou minha mão, que eu percebi o tamanho do meu passo. Assim que você se mostrou confusa eu vi nascer a certeza da impermanência entre nós. Nós somos um contraponto, Que ora se encontra, ora se distancia. Mas seu sorriso terno E meu olhar amoroso se misturam Quando a gente se olha no começo do dia. Minha alta exposição encontrou seu mistério. Minha mão encontrou seu cabelo E sua boca a minha orelha E foi amor à primeira vista entre eles. Mas também foi onde você não me prometeu a eternidade E eu aceitei a transitoriedade
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