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Mostrando postagens de Setembro, 2013

Deserção.

Por que me deixo levar por minhas ilusões?
Se meu caminho a cada dia é mais solitário,
se não há meios que possam te trazer até mim,
se está claro que me  resta apenas a solidão.
Então, por que insisto em acreditar
que dentro de ti existe um sentimento especial por mim?
Estou farta de desilusões.
Não espero alcançar o inalcançável,
o amor que procuro desesperadamente,
nos becos e bares dessa cidade.
Nesses olhares que nada significam além de piedade,
para com alguém que sofre e é visível meu sofrimento?
Eu já não sei por quais ruas andarei a procurar
por você e sinceramente, estou desistindo neste momento.
Adeus, eu direi a quem nunca encontrei,
o tempo passa e me perco nesses caminhos lamacentos de lágrimas,
quem sabe a morte, angústia de quem vive,
quem sabe a solidão, fim de quem ama,
possam enfim estender a mão a quem só quer descansar,
da busca enfadonha e da ilusão de encontrar alguém para amar.
Nos tropeços desse caminho pude perceber que na vida
só me resta viver e nada mais, po…

Na Primavera...

As flores estão brotando,
os pássaros azuis voam sobre o jardim e somem no meio das flores.
O vento vem, o vento vai
sinto um arrepio,
quando lembro de alguém.
Alguém que eu queria abraçar todos os dias.
As flores demoram a florescer
não houve chuva,
e ainda assim elas resistem.
Quem me dera ter a força
que só a natureza é capaz de ter.
Quem me dera ser a força
que te fará vencer.
Quem me dera ter a força
que me fará vencer.
Meu medo do mundo,
meu medo de tudo,
medo que no fundo
é medo de uma única palavra.
Palavra impronunciável
que me faz temer
e crer nas minha ilusões.
Palava incontrolável,
que todos expressam
sem saber o significado.
Quem me dera parar
de procurar um significado para tal palavra.
Hoje a noite choverá
e as flores poderão enfim brotar.
Se na primavera eu encontrar
uma flor a me alegrar
valerá como significado
do amor que procuro
nos olhos de alguém
que está ao meu lado.


``O começo da primavera - Guo Xi-arte chinesa- Ano 1072``.

Na primavera tudo desperta, tudo dilata,…

Esse texto exprime minha repulsa às desigualdades do mundo.

Eis que surge um questionamento: já estamos neste admirável mundo novo de Huxley?
Olhares vagos, que não exprimem sentimentos e
perdidos na órbita do tempo.
Sentimentos mecanizados que primam o suprimento da carência humano e só.
Sonhos fadados ao dinheiro,
lutas por cargos, classes?, altas posições nesta sociedade que mais parece um circo de animais presos contra à vontade.
Eu vejo luzes no céu,
isso  não significa que são estrelas.
Eu enxergo com meus óculos de marca
que não há nada de errado em comprar esse tecido
produzido pelas mãos de alguém que pode estar sendo escravizado em algum lugar escondido nesse mundo
e que nada receberá de mim.
Eu vejo um homem e uma criança deitados debaixo da avenida, enrolados em cobertores sujos, dos quais
nem se quer me aproximo, pois eles exalam mal cheiro.
O vento é gelado a essa hora da manhã eles estão juntos, pai e filho aquecidos por esse cobertor imundo de sujeira da rua, dos carros e dos homens que os ignoram.
Passo por pessoas com rostos …

Cinza...

Dia cinzento
Dia frio
Vento gelado
que gela a alma.
Abraço esperado
Não recebido.
O Amor encantado
Perdido
no mar de fantasias e ilusões.
Palavras são somente palavras.
O que os olhos querem ver o medo não permite.
O tempo mudou porque eu mudei
ou eu mudei porque o tempo mudou?
O amor é um poço
que quando se cai
a queda é eterna como a queda de Alice
e olhamos para o fundo e ele é apenas um borrão.
Não estou machucada, por enquanto, e apesar de estar caindo
por um instante penso que estou voando (mas estou caindo)
E o céu é cinzento...
Às vezes tenho a sensação de que alguém segura minha mão
mas, como tudo nesta queda também é ilusão.
Estou caindo a muito tempo e
começo a sentir frio,
estou me aproximando da água... parece o fim.
Eis que surgem os questionamentos:
O que vem depois da queda?
Será o afogamento? A morte?
Um banho gelado?
Nessa queda solitária a qual chamo de amor
a única voz que ouço é a de Deus
que me adverte não ser sensato
sentir-se atraída pela Morte.

Sara.