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Esse texto exprime minha repulsa às desigualdades do mundo.

Eis que surge um questionamento: já estamos neste admirável mundo novo de Huxley?
Olhares vagos, que não exprimem sentimentos e
perdidos na órbita do tempo.
Sentimentos mecanizados que primam o suprimento da carência humano e só.
Sonhos fadados ao dinheiro,
lutas por cargos, classes?, altas posições nesta sociedade que mais parece um circo de animais presos contra à vontade.
Eu vejo luzes no céu,
isso  não significa que são estrelas.
Eu enxergo com meus óculos de marca
que não há nada de errado em comprar esse tecido
produzido pelas mãos de alguém que pode estar sendo escravizado em algum lugar escondido nesse mundo
e que nada receberá de mim.
Eu vejo um homem e uma criança deitados debaixo da avenida, enrolados em cobertores sujos, dos quais
nem se quer me aproximo, pois eles exalam mal cheiro.
O vento é gelado a essa hora da manhã eles estão juntos, pai e filho aquecidos por esse cobertor imundo de sujeira da rua, dos carros e dos homens que os ignoram.
Passo por pessoas com rostos desconhecidos amontoados em um transporte coletivo.
Eu me importo,
quero que saiam do caminho, pois estão congestionando o trânsito e
não gosto da expressão de seus rostos, me faz lembrar das fotografias do livro de história.
Existe uma criança que me persegue em meus sonhos, e quando olho em seus olhos
negros, ela balbucia palavras que não compreendo, ela faz gestos que parecem dizer que ela quer água.
Sempre pergunto onde está a mãe dessa criança e digo que onde estamos não há água e então subitamente percebo que não sei onde estamos. Eu olho ao redor, vejo mato, árvores baixas, um leão, uma zebra e o sol terrivelmente escaldante, onde estará meu guia de viagem? A criança já não me importuna, então  vou acordar. Meu quarto é claro e tem persianas azuis, meu prédio é bonito e ao lado da minha cama, em cima da mesa há um copo com água.
Procura-se por alguém que compreenda o ser humano e a sua sociedade democrática capitalista pós-moderna, dizia a placa de um mendigo na rua.
Vejo pessoas nas ruas, seres pensantes?
Pessoas produto de fatores biológicos e da sua interação com o meio social.
O ser humano produz o seu meio social e ao fazê-lo ele constrói a si mesmo.
Já estive em muitos lugares e em todos pude notar que o mundo está em desalinho, desencanto e desacordo
consigo mesmo, com as pessoas, com os animais, comigo e com você.
Porque simplesmente não enxergamos o outro ser que nos rodeia e nos observa de olhos negros e rosto molhado de chorar de fome, de sede, de frio, de tristeza por estar sozinho neste planeta de sete bilhões de pessoas.

Sara.

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