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Mostrando postagens de Novembro, 2013

A Sombra.

Olhe meu rosto,
olhe dentro dos meus olhos.
Me diga o que você vê?
E eu te responderei o que vejo nos seus.
Dois poços de escuridão,
de vasta imensidão e de profundezas imensuráveis.
Quando olho para o seu rosto,
enxergo uma criança,
de olhar perdido.
Suas palavras não deixam escapar
palavra alguma que traía seus segredos,
mas eu percebo, há algo que você esconde,
algo que te machuca e que a todo instante
você quer que alguém perceba.
Mas você mesma não se traí, hora nenhuma.
Admiro sua enorme capacidade de lidar consigo mesma,
você desvia-os dos seus caminhos questionando-os, indagando-os como Sócrates.
Enquanto seu silêncio deixa escapar um mar de palavras,
que me faz querer mergulhar no seu mar de segredos,
e desvendar seu olhar confuso que desprendido,
olha para tudo e todos sem fixar em absolutamente  nada.
É sufocante estar ao seu lado, seu olhar confuso faz as pessoas te amarem,
acredito que você não saiba disso.
Ás vezes sua frieza me desespera, mas procuro te compreender em m…

Trechos dos meus pensamentos na chuva.

Trechos dos meus pensamentos enquanto caminho na chuva:
Não me importo,
algo em mim desprendeu-se do tempo.
Os olhares em rostos que exprimem solidão,
o mar revolto e a fúria dos ventos.
O andar de alguém que mergulha nos próprios pensamentos
a procura de refúgio.
O silêncio que esconde a dor e que maltrata,
acalenta e satisfaz ao mesmo tempo a mesma pessoa.
Não basta dizer sim ou não para a vida,
tem-se que ter um propósito dizia alguém na rua.
Ouço o canto de pássaros,
e sinto vontade de voar,
mas entristeço, pois percebo que não tenho asas.
As palavras me libertam, mas há sempre algo que escapa de ser escrito.
E o que não é escrito é guardado ou esquecido
em um íntimo lugar das profundezas do meu ser.
As lágrimas já não vem a face e os olhos parecem estar secos
como árvores do sertão.
Sento-me no chão, pois a vontade de sumir é imensa demais para suportar de pé.
Cabe ao futuro decidir se verei ou não o próximo nascer do sol.
Molho meu rosto pensando em acordar dos pesadelos em que…

Dente-de-Leão...

Sinto-me culpada. Caminhava pela rua quando o avistei, me aproximei e o arranquei do chão, ceifei sua vida. o coloquei em minhas mãos e o acariciei com meu rosto. Não consegui mais soltá-lo. Aquele ser jazia morto em minhas mãos,  inerte por minha culpa. O toquei e parte dele soltou-se e o vento levou. Sofri com tal gesto, tamanha era minha culpa. Me arrependi disto. Agora ele não sai de minhas mãos,  sua forma e sua morte me martirizam. Sua beleza logo findará. Caminho pelas ruas com o ser em minhas mãos e as pessoas não notam meu crime. Seu corpo morto em minhas mãos. Neste momento estou a olhá-lo, e em mim a culpa pesa e arde. Ceifei sua vida no auge de sua beleza, pois é isto que as pessoas fazem. Já não posso mais te conter em mim. Se o soprarei? Eu não sei. Dente- de- Leão te perdi antes mesmo de tê-lo em mim, o vento te leva para longe de mim, já não suporto a distância, dê-me algo para que eu possa distrair meu coração, enquanto procuro-te nos jardins e olhares do mundo.
Sara.