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Trechos dos meus pensamentos na chuva.



Trechos dos meus pensamentos enquanto caminho na chuva:
Não me importo,
algo em mim desprendeu-se do tempo.
Os olhares em rostos que exprimem solidão,
o mar revolto e a fúria dos ventos.
O andar de alguém que mergulha nos próprios pensamentos
a procura de refúgio.
O silêncio que esconde a dor e que maltrata,
acalenta e satisfaz ao mesmo tempo a mesma pessoa.
Não basta dizer sim ou não para a vida,
tem-se que ter um propósito dizia alguém na rua.
Ouço o canto de pássaros,
e sinto vontade de voar,
mas entristeço, pois percebo que não tenho asas.
As palavras me libertam, mas há sempre algo que escapa de ser escrito.
E o que não é escrito é guardado ou esquecido
em um íntimo lugar das profundezas do meu ser.
As lágrimas já não vem a face e os olhos parecem estar secos
como árvores do sertão.
Sento-me no chão, pois a vontade de sumir é imensa demais para suportar de pé.
Cabe ao futuro decidir se verei ou não o próximo nascer do sol.
Molho meu rosto pensando em acordar dos pesadelos em que imersa caminho
ao longo de minha vida.
Debaixo da ponte passa um rio de águas transparentes que não refletem meu rosto.
Um gato passa por mim, mas eu finjo não vê-lo e ele desfaz de mim.
Uma música que não sai da minha mente, diz que no fim do mundo todas as palavras de nada valerão
se um  homem se perder do caminho, ele pode achar outro, mas nunca será o mesmo.
Palavras são apenas palavras, que despercebidas traduzem a alma do ser.

Sara.

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