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Mostrando postagens de Janeiro, 2014

Yann Tiersen- Comptine d'Un Autre Été- Die fabelhafte Welt der Amélie Piano [Large Ver...

Eu me lembro de um tempo
em que os dias já não eram tão bons
e as noites já não eram tão boas.
Os sonhos em atormentavam
e eu desejava dormir eternamente.
A tristeza me tomou naqueles dias
e as lágrimas escorriam no meu rosto
sem que eu pudesse controlá-las.
As noites eram curtas,
e eu não sonhava.
Os dias eram atarefados e passavam depressa.
Dentro de mim havia uma busca
incessante por um rosto que me transmitisse empatia.
Eu desejava o sono eterno,
pois ao dormir eu já não descansava,
nem sonhava, mal dormia todos os dias.
Houve um tempo
em que a chuva já não me trazia alegria
e meus olhos perdiam o brilho
que um dia eu conseguira a  muito custo.
Eu me lembro desse tempo
em que as palavras eram tristeza
e a tristeza não era nada
perto da solidão  que trazia um frio intenso,
frio de alma.
Houve um tempo em que me sentava no banco da praça
e as pessoas que passavam por mim não tinham rostos.
Houve um tempo em que eu me lembrava do passado de alguém
que por medo do tempo
dormiu eterna…

Exílio em mim.

Passo a mão nas paredes desse quarto.
toquei o seu rosto,
lavo meu rosto,
torno a te tocar.
Descalço caminho,
piso no chão,
certificando-me da realidade,
minha realidade.
Encaro meu reflexo,
a janela aberta anuncia
a chuva que cai lá fora.
Ouço um piano,
sim toca  minhas músicas favoritas.
Ouço a chuva, o piano,
torno a tocar as paredes do quarto.
Você está em silêncio,
você é irreal, é uma sombra de mim,
uma projeção da minha fantasia.
Sei que se te abraçar,
você irá embora.
Eu não posso sair desse quarto,
você, minha ilusão, é minha única companhia.
Me cansei de falar,
a chuva cessou,
não possuo relógio,
meço o tempo pelas músicas.
A cada hora uma música se repete,
duas vezes é tocada no piano.
Talvez o pianista saiba que a música é curta,
e por isso a repita.
Folhas no chão, Livros jogados.
Escrevo quando as palavras surgem.
Assim, estabeleço minhas conversas,
perdi o tempo em mim.
Já chorei diversas vezes,
gritei com você, comigo.
Temo o dia em que a tinta acabar.
Ao longe, ouço m…

Curta - Eu Não Quero Voltar Sozinho. Daniel Ribeiro

Despida de preconceitos, assisti a esse curta e por pouco não choro.
Léo se apaixona pelo cheiro, pela voz, pelo toque de Gabriel.
Por detalhes que nós todos também nos apaixonamos,
mas que de uma maneira tão desleixada não damos a devida atenção.
Somente no momento da perda é que nos damos conta,
o quanto seu perfume era cativante, o quanto seu toque era suave,
o quanto sentimos a falta do ser amado.
Assim, ao menor vislumbre do aroma do ser amado,
é que reparamos o tamanho desse  amor.
O amor é tão vasto,
esse curta nos mostra o quanto ainda temos a aprender sobre o amor,
nas suas mais variadas dimensões, tamanhos, cores, aromas, gestos e expressões.

Bom filme! Em 28 de Março de 2014 estréia Hoje Eu quero voltar sozinho, baseado neste curta e com os mesmo atores, roteiro e direção de Daniel Ribeiro.
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-224664/

Sara.

Cœur de pirate || Place de la République [vidéoclip officiel]

Place de La République

On s'est connu le temps de plaire
Aux exigences qu'on s'est créées mais on s'y perd
Tu n'es qu'à quelques kilomètres
Et nos coeurs, nos coeurs sont restés dans cette mer
J'ai couru en longeant la seine
En espérant te retrouver, la main sereine
J'ai couru sans savoir comment
Ni pourquoi on s'emballe
On s'est connu qu'un moment

Et je ne sais plus si tu en vaux la peine
C'est plutôt dur d'en être certaine
Et quand tu seras à Vincennes
Ce soir ne m'oublie pas
Je t'attendrai au moins le temps de dire
Que j'ai voulu prendre le plus grand risque
Un sol qui m'a rendue bien triste
Un soir Place de la République

Et comme tu vois c'est bien la fin
Je dois traverser l'océan demain matin
De tes bras, je m'arracherai tout doucement
Et c'est la réalité qui m'attend
Je sais ton coeur est habité
Par une ou d'autre fille qui t'ont marquées
Moi je suis moins forte que les autres
Mais j…

Poema de sete faces- Carlos Drummond de Andrade.

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.


Carlos Drummond de Andrade.


Asas.

*Quando nasci um anjo torto desses que aparecem nos sonhos me disse:
Voa Sara, Voa!
No mesmo instante  eu lhe perguntei: Como posso voar se não tenho asas?
Constrói Sara, cria tuas asas e voa. 
E se foi.
Eu não posso explicar as escolhas que fiz.
Mas se não eu, quem poderá em meu lugar?
Eu sou o que aparento ser ou o que penso que sou?
Sempre terei medo de ser o que sou?
Existir plenamente, saltar para o meu voo?
Segui o conselho do anjo e estou construindo minhas asas.
Não é tarefa fácil. Exige determinação.
O que eu sou hoje é resultado do meu passado.
Sempre que olho para o meu caminho, sinto medo.
E se eu saltar e cair, então morrerei?
Talvez sim, talvez não. Um dia terás de saltar,
seja para a vida, seja a morte.
Às vezes me canso de refletir.
Queria interromper meu sofrimento.
Às vezes no silêncio da noite,
me sinto em pleno voo
e desejo cair,
Então de súbito abro meus olhos
e escondo minhas asas.
Adormeço escutando meus sonhos
voarem de mim.
Esqueço as palavras que me cercam,
merg…