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Yann Tiersen- Comptine d'Un Autre Été- Die fabelhafte Welt der Amélie Piano [Large Ver...





Eu me lembro de um tempo
em que os dias já não eram tão bons
e as noites já não eram tão boas.
Os sonhos em atormentavam
e eu desejava dormir eternamente.
A tristeza me tomou naqueles dias
e as lágrimas escorriam no meu rosto
sem que eu pudesse controlá-las.
As noites eram curtas,
e eu não sonhava.
Os dias eram atarefados e passavam depressa.
Dentro de mim havia uma busca
incessante por um rosto que me transmitisse empatia.
Eu desejava o sono eterno,
pois ao dormir eu já não descansava,
nem sonhava, mal dormia todos os dias.
Houve um tempo
em que a chuva já não me trazia alegria
e meus olhos perdiam o brilho
que um dia eu conseguira a  muito custo.
Eu me lembro desse tempo
em que as palavras eram tristeza
e a tristeza não era nada
perto da solidão  que trazia um frio intenso,
frio de alma.
Houve um tempo em que me sentava no banco da praça
e as pessoas que passavam por mim não tinham rostos.
Houve um tempo em que eu me lembrava do passado de alguém
que por medo do tempo
dormiu eternamente.

Sara.

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Deixa

Deixa vir esse cabelo no rosto
essas lágrimas guardadas
essas palavras não ditas
que te entopem.

Deixa,
Deixa nascer um espaço entre n-ó-s.
para que alguém possa respirar
depois de uma crise de choro.

Deixa,
Deixa o tempo andar devagar
e te olhar
para ver como é que você está se fazendo
se moldando, se construindo.

Deixa,
Deixa o silêncio surgir sorrateiro
trazendo a tona o barulho
que antes estava aqui

Deixa,
Deixa a sua vontade dizer firme que te incomoda o desejo
O desejo de um outro alguém
Deixa
Deixa a gente ganhar espaço,
alçar voos distantes.

Deixa,
Deixa eu pousar um instante
para recuperar o fôlego
Depois do esforço
de tentar te fazer apaixonar...

Deixa,
Deixa o espaço se fazer entre nós
e quando ele tiver se instalado
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Sara.

Soberana.

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Eu reluto, mas me entrego
pois permaneço.

O laço que prende
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Um nós abrupto,
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Se ela voltar?
Se ele voltar?
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Mas pode haver?
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Ela apressa a minha calma.

Sara.

*Livro: "O Beijo no Asfalto", Nelson Rodrigues.
*Música: "Provável Canção de Amor para Estimada Natália", Banda Mulamba.

Galhos

Era como um sonho
que eu não conseguia distinguir da realidade.
Aquela estrutura imponente
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Mesmo sabendo da impossibilidade da queda
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O que me deixava sem chão?
De onde vinha esse medo?

Era como uma nuvem que tocava o chão
e eu não sabia como aquilo era possível,
mesmo estando diante de mim.

Foi como se chovesse ao contrário
a água brotava do chão em pequenas gotas e subia,
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que meu desejo de morte sucumbia ante aquela visão.

Foi como dizer adeus e continuar ali presente,
vendo os resultados da despedida emergirem.
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estava acostumada demais com a realidade tórrida
que me cercava,
mas um desejo não espera por permissão.

Foi da estrutura que surgiram novos caminhos,
eram como galhos de metal
que avançavam pelo ar.
Era mais do que minha imaginação
era um instinto de sobrevivência.
E eu não tive medo de subir,
não d…