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Mostrando postagens de Maio, 2014

A Queda.

Por que as palavras fugiram de mim?
O infortúnio que eu sou as afugentou.
A queda se iniciou.
De forma tão inesperada eu caí.
Veio sobre mim tudo aquilo que eu temia.
Neste exato momento eu estou caindo,
sinto  meus pedaços sendo deixados para trás
a cada passo que dou.
Tudo desmorona, a começar pelo interior
seguindo para minha superfície.
Um pequeno ensaio para o apocalipse,
eu diria.
Dramática, você deve estar pensando.
O que me importa?
Sou eu quem está caindo.
Me parece irreversível,
pois não consigo me  refazer.
O medo líquido propiciou minha queda.
Infiltrando-se por minhas paredes,
afrouxando minhas vigas.
Sem perceber eu caí e ainda estou caindo,
dia a dia, hora a hora sem perceber.
A minha frente vejo tudo que passei
e essas recordações me dilaceram.
O medo me inundou.
Ao fim da queda dois resultados são possíveis:
o desequilíbrio,
a loucura.
Não me questione,
já não consigo deter minhas lágrimas.
Meu rosto está molhado enquanto caio.

Sara.


A Flor no livro de Clarice.

A encontrei em uma dessas páginas que tanto me inspira.
Naquele exato momento fiquei aturdida,
mas no segundo seguinte um sorriso esboçou-se em meu rosto.
Tão frágil que não pude tocá-la,
não pude imaginar de onde viestes, aquela beleza me detinha.
Não pude tirá-la da página,
tive medo de perdê-la.
Sinto ter perdido teu passado,
não sei se poderei dar-te um futuro.
Queria voltar no tempo e sentir teu perfume.
Queria saber de onde viestes
e para onde irias.
Queria te ver sendo tocada pelo vento,
queria ver teu florescer.
Agora que tudo passastes,
chega até mim.
Natureza morta?
Não. Viva, e carregada de lembranças que só quem a colocou
no livro pode tê-las vivido ou não.
Que sua não existência perdure além de mim,
que eu possa ser a sombra que te cerca
nessa tarde de sol,
em que desfruto do meu livro
e contemplo uma flor seca de uma planta desconhecida
deixada em uma dessas páginas que me inspira.

Sara.
O Livro: Clarice na Cabeceira. Clarice Lispector.

De olhos fechados...

Eu estive esperando por muitos dias até que você fechasse seus olhos.
Só então eu pude ver
o quanto a espera foi longa
e o quanto eu estou desgastado.
Mas você fechou seus olhos
e eu pude te mostrar meu mundo.
Te apresentei meu sorriso
Te cobri com meu abraço
e percebi que você sorria,
então de olhos fechados
eu enxerguei o mundo.
Eu sei que um dia teremos de abri-los.
Então até lá eu pretendo
te fazer imergir no meu mundo.
Te tornarei parte de mim.
Estou esperando você me guiar,
lembre-se que estamos tateando no escuro
e assim eu te peço que segure minha mão
o mais firme que puder
para que eu seja o seu apoio e você seja o meu.
Para que quando abrirmos os olhos,
eu possa estar ao seu lado e você ao meu.
Assim teremos força de seguir adiante,
até lá de olhos fechados,
eu observo você ao meu lado.

Sara.

Ouvi essa música por acaso, e agora ela não sai da minha cabeça.