Pular para o conteúdo principal

Ingenuidade, minha.

Desculpem-me leitores algo se quebrou em mim.
Descobri algo sobre mim,
algo que eu já conhecia só não sabia como nomear.
Minha ingenuidade.
Sempre me julguei observadora,
atenta a todos que me cercam, de fato sou.
Só que em meio a esse processo algo se alterou.
Deixei que meus sonhos
saíssem de mim e assim pouco a pouco
fui ficando cega para o mundo das pessoas.
Sim, um mundo a qual eu não pertenço,
não inteiramente.
Tudo me parece tão vago,
sem sentido, sem explicação.
Quando na verdade é muito simples:
Eu não sei viver.
Talvez isso justifique o fato de eu nunca me sentir
pertencente à algum lugar, qualquer um,
seja minha casa, a casa dos outros,
inclusive meu próprio quarto.
Me pergunto se há outros como eu,
acho que sim,
mas é difícil assumir que se é um estranho no mundo,
que se é ingênuo, que não se conhece as pessoas.
De um modo muito triste faz sentido.
Me questiono, quando foi que deixei de viver.
Na infância, na adolescência, agora? Eu não sei dizer.
De um modo incomum,
deixei de olhar para as pessoas
e para o mundo a minha volta.
Passei a observar de olhos fechados
como uma vida seguia, sem me ater ao fato
de que essa vida me pertencia,
e que só cabia a mim desenvolvê-la.
O que fazer diante dessa constatação?
Ainda há tempo de abrir os olhos?
Deixar minhas expectativas?
Sobre tudo e todos.
Deixar minha ingenuidade?
Não posso responder a tais perguntas,
não agora, não hoje,
talvez não nessa vida.

Sara.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Reencontrando-nos.

Por duas vezes nos despedimos,
por  duas vezes nos reencontramos.
Eu não quero pensar no depois,
no que virá a seguir.
Eu quero viver esse momento
como se fosse o último.

E se...
não sei,
desisto de saber.
Eu já te escrevi tantos poemas.
Sei que não leu um terço deles.
Talvez seja aterrorizante
saber o que eu sinto por você.
Talvez você apenas se esqueça.
Já não me importa
Agora eu conheço o caminho
e só eu posso desistir de caminhar.

Nos últimos dias eu deixei
de habitar um certo lugar
Um tão conhecido
tão arredio
tão meu lugar.
Um espaço para o vazio
em que eu me guardava.
Era um poço de segurança,
mas também um buraco no isolamento.
Ali não soprava vento
nem assobio ressoava.
Ali eu não cantava,
mas então você chegou
e me disse que eu podia sair.
Era só o que eu esperava ouvir,
mas ninguém havia chegado tão perto
a ponto de me dizer.

O mundo é tão novo como jamais foi igual.
Muito depende de mim,
agora muito mais do que antes.

Sara.














Encontro do Rio Potengí com o mar - Natal RN
Font…

Medo.

Quando um ser humano
sente medo de outro ser humano,
esse medo é aprendido.

É difícil olhar nos olhos das pessoas
Que vivem na margem da sociedade,
Quando você não vive.

É difícil saber que ele ou ela não tem o que comer,
onde dormir, alguém pra dar um abraço.
Dói saber que quando ele se aproxima de mim pra pedir dinheiro
Eu sinto medo.

Eu sei que ele ou ela é mais do que a rua.
Eles não vieram do nada,
não nasceram na rua.
Mas diversas circunstâncias os levaram a rua.

Eu sei que ele percebe meu medo
E que isso o entristece.
É duro saber que o outro sente medo de você.
Quando você sabe que esse medo não tem razão.

Eu sei que essa pessoa tem uma história,
tem pessoas que a ama,
tem pessoas que a deixaram,
tem pessoas que cuidam dela.

Eu sei que somos de mundos distintos
Mas me nego a aceitar esse medo.
Eu preciso parar de sentir medo
E enxerga-lo como alguém
que é muito mais do que a sua condição de vida.

Ele e Ela são muito mais do que a rua mostra.
E eu quero conversar com eles e con…

Amanhecer Juvenil.

Eis que a tormenta se aproxima.
Já se anunciam os cavaleiros.
Todos de pé para o esplendoroso final.
Será o fim? ou começo da tormenta?
Se anuncia amplamente
o tempo retrocedendo
a roda foi movida,
não resta saída.
Todos de pé,
O dia se aproxima.

Eis que caminhava pela estrada
estudantes secundaristas revoltosos
com um insulto
somando força
mais estudantes a caminho
chegamos a um ponto comum
uma pauta comum,
um mesmo método.
Ocupar e resistir.

Mas eis que não muito longe
o nevoeiro já chega
atravessando os quatro cantos
ele ruge e ameaça
a tudo aquilo que conquistamos,
nessa história não sabemos o final.
Mas uma vez, a força juvenil
saiu as ruas com caras pintadas
espreitando os cavaleiros armados.

Sem máscara no rosto não resta nada a temer
a revolta já está inflada
cabe ao povo mover
as vendas.
Eis que o confronto se aproxima
e não se sabe como estará o clima
da batalha
mas já se enxerga o exército sem farda,
mas que com uniforme marcha.
É mais do que se espera,
não é o que se aguar…