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Um frio.

Um frio, um frio de alma.
Estou vendo a vida  passar
abaixo dos meus pés,
e nada posso fazer para alcançá-la.
Estou preso às amarras do medo,
medo que tenho, que criei.
Olho distraidamente pela janela a minha frente
para as folhas que caem com o vento.
Resisti por tanto tempo
ao vento
que as pedras que me prendem ao chão
agora são pesadas demais para que eu possa voar.
Sorrir, me parece um objetivo não alcançável,
não aqui, não agora.
Deixe me ir,
para qualquer lugar,
apenas deixe me.
Encaro minhas mãos
e não vejo marcas do meu esforço para viver.
Muitas palavras saem de mim,
mas a grande maioria não merece ser lida.
Eu poderia escrever sobre você que atormenta meus pensamentos
dia e noite.
Eu poderia escrever sobre a vida que me encarrego de destruir
dia a dia.
Por fim, escrevo sobre nada,
esse nada que me preenche,
que faz com que eu viva.
Não posso defini-lo,
apenas sei que me sustenta.
Um frio, frio de alma,
um rio, um rio de alma,
um rio de calma.
Minha hesitação
demonstra meu medo.
Existir é devanear,
abstrair da morte.
Cair é levantar, um círculo interminável chamado vida.
A vida que passa debaixo dos meus pés
é fria demais para que eu possa tocá-la.
Um frio, frio da minha alma.

Sara.

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