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O que não pode ser dito...

Um olhar difícil de se perceber,
um aroma no ar.
Um sorriso bem contido,
um soluçar escondido.
Um medo de falar
o que vier a cabeça.
Um terço de coragem para executar
sentenças de um coração desmedido.
Um castigo,
algo perdido,
um elo frágil
entre eu e você.
Aquela que me encara no espelho,
faz de mim um espectro vazio.
Enquanto ela se preenche
eu me perco.
Vozes que fazem  o chão estremecer.
Você me encara em cada esquina da cidade.
Desde que eu decidi te deixar.
No fundo dos meus pensamentos
existe uma saída,
que evacua lembranças despercebidas.
De repente algo familiar perde o significado,
a presença física se foi,
mas um fio permanece ligado.
Um fio que me faz reconhecer
alguém na rua após o entardecer.
Ontem à noite li em um livro,
uma frase muito conhecida e usada,
mas que por mim nos lábios
jamais foi colocada.
Antes que eu me pudesse conter
meu coração deu um salto,
e desejei mais uma vez usar a frase
que assombra meus pensamentos,
meus sonhos.

Sara.

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Deixa

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essas palavras não ditas
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Deixa,
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Deixa,
Deixa o tempo andar devagar
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para ver como é que você está se fazendo
se moldando, se construindo.

Deixa,
Deixa o silêncio surgir sorrateiro
trazendo a tona o barulho
que antes estava aqui

Deixa,
Deixa a sua vontade dizer firme que te incomoda o desejo
O desejo de um outro alguém
Deixa
Deixa a gente ganhar espaço,
alçar voos distantes.

Deixa,
Deixa eu pousar um instante
para recuperar o fôlego
Depois do esforço
de tentar te fazer apaixonar...

Deixa,
Deixa o espaço se fazer entre nós
e quando ele tiver se instalado
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Sara.

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Sara.

*Livro: "O Beijo no Asfalto", Nelson Rodrigues.
*Música: "Provável Canção de Amor para Estimada Natália", Banda Mulamba.

Galhos

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Era como uma nuvem que tocava o chão
e eu não sabia como aquilo era possível,
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mas um desejo não espera por permissão.

Foi da estrutura que surgiram novos caminhos,
eram como galhos de metal
que avançavam pelo ar.
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era um instinto de sobrevivência.
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não d…