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Delírio de Amar...

Em um dia de outubro, mais uma vez eu caminhava distraidamente
pelos caminhos da minha vida...
Após uma curva, uma longa rua se mostrava à frente.
Foi então que avistei, ao longe, um certo alguém.
Fez-me paralisar, minhas mãos suavam e minhas pernas tremiam.
Caminhávamos em direções opostas, mas sabia que
em um dado momento nos encontraríamos.
Dentre os meus pensamentos,
surgiam inúmeras perguntas que eu poderia fazer à este alguém.
Nesses desatinos eu apressava e retardava meu caminhar,
pois tudo o que queria poderia estar à minha frente...
Planos e expectativas surgiam,
um delírio já apropriava-se de mim.
Estava tão embriagada por esta presença
que já não conseguia olhar à frente em sua direção.
Eu almejava um abraço.
Quando o dado momento aproximava-se,
levantei a cabeça e mirei seu olhar, mas
quem eu avistava a pouco,
a minha frente já não estava...
Neste instante eu compreendi,
eu havia me aprisionado,
embarquei em meu delírio tão rapidamente
que não percebi que se tratava de uma miragem,
uma miragem no horizonte...
Quem a muito caminha sozinho e almeja uma companhia
pode produzir e enganar a si mesmo,
na busca por fugir da solidão.
Me afundei em minhas areias movediças,
areias de sonhos,
tão palpáveis como o ar.
Há quem diga que é mais fácil viver em sonhos,
mas talvez esse pensamento seja mais um engano
dos muitos que criamos
para sermos felizes.

Sara.

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