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Questionando o Estrangeiro.

-Não sei se você percebeu, mas adoro caminhar sozinha.
-Sim, é notável.
-Eu posso te perguntar sobre o que vai acontecer? Meu futuro me parece tão enevoado que é desesperador tentar planejá-lo.
-Você sabe que não posso falar nenhuma palavra a respeito disso. Eu já te disse, isso é apenas um sonho, mesmo que muito realista. Você sabe que o futuro está em construção e que é tão mutável que se torna tênue. Ele se modifica a cada escolha que você realiza.
-Você me parece confiante e segura. Será que serei assim também?
-Eu não sei, mas se Deus permitir você será.
-A vida passa tão depressa que nem sei quando me tornei o que sou hoje...
-E você nunca saberá.
-Às vezes sinto falta do modo como fui antes. Eu nunca soube quando deixei de ser criança...
-E você jamais saberá, o tempo é um continuum, só há começo e fim com o nascimento e morte, de resto nada sabemos.
-Temo não dar conta de enfrentar meus medos, de fracassar.
- O fracasso sempre existirá, em tudo que é humano, e só podemos aprender com ele.
-Sinto-me pequena e frágil, não sei se conseguirei viver, me sinto tão perdida...
-Esse é um sentimento próprio dos seres humanos, não se preocupe, estamos imersos no tempo e sempre nos reencontraremos, não importa quando, apenas acontecerá...
-Eu não sei se temo ou desejo a morte. Queria ajudar outras pessoas, mas não consigo nem me ajudar.
-Não sei o que te dizer, ainda permaneço com o mesmo sentimento.
-Eu sempre quis ter alguém como você ao meu lado.
-Eu sei, apesar da tristeza você se ama.
-Quando você olha para mim, o seu passado, o que você sente?
-Sem dúvidas, você é um processo, um acontecimento no mundo, não posso te conter em  mim...
-Por quanto tempo permanecerei só?
-Em qual sentido você fala?
-Em todos.
-Ao mesmo tempo em que você está só, você só sabe que é só, por que houve um  outro de quem você pode se distinguir. Portanto, acredito que permanecemos sós até o fim de nossa existência ao mesmo tempo em que nunca estivemos sós durante toda a nossa vida.
-Acho que o tempo está acabando, o que me resta a fazer?
-Eu não posso te fornecer respostas, você deve construí-las.
-Você vai se despedir?
-Não posso me despedir do meu passado. Você faz parte de mim, sempre me acompanhará como uma sombra silenciosa, você me segue e me seguirá, enquanto sobre a terra eu existir.

Sara.

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Medo.

Quando um ser humano
sente medo de outro ser humano,
esse medo é aprendido.

É difícil olhar nos olhos das pessoas
Que vivem na margem da sociedade,
Quando você não vive.

É difícil saber que ele ou ela não tem o que comer,
onde dormir, alguém pra dar um abraço.
Dói saber que quando ele se aproxima de mim pra pedir dinheiro
Eu sinto medo.

Eu sei que ele ou ela é mais do que a rua.
Eles não vieram do nada,
não nasceram na rua.
Mas diversas circunstâncias os levaram a rua.

Eu sei que ele percebe meu medo
E que isso o entristece.
É duro saber que o outro sente medo de você.
Quando você sabe que esse medo não tem razão.

Eu sei que essa pessoa tem uma história,
tem pessoas que a ama,
tem pessoas que a deixaram,
tem pessoas que cuidam dela.

Eu sei que somos de mundos distintos
Mas me nego a aceitar esse medo.
Eu preciso parar de sentir medo
E enxerga-lo como alguém
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Ele e Ela são muito mais do que a rua mostra.
E eu quero conversar com eles e con…

Nos Reencontrando.

Por duas vezes nos despedimos,
por  duas vezes nos reencontramos.
Eu não quero pensar no depois,
no que virá a seguir.
Eu quero viver esse momento
como se fosse o último.

E se...
não sei,
desisto de saber.
Eu já te escrevi tantos poemas.
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Talvez seja aterrorizante
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Talvez você apenas se esqueça.
Já não me importa
Agora eu conheço o caminho
e só eu posso desistir de caminhar.

Nos últimos dias eu deixei
de habitar um certo lugar
Um tão conhecido
tão arredio
tão meu lugar.
Um espaço para o vazio
em que eu me guardava.
Era um poço de segurança,
mas também um buraco no isolamento.
Ali não soprava vento
nem assobio ressoava.
Ali eu não cantava,
mas então você chegou
e me disse que eu podia sair.
Era só o que eu esperava ouvir,
mas ninguém havia chegado tão perto
a ponto de me dizer.

O mundo é tão novo como jamais foi igual.
Muito depende de mim,
agora muito mais do que antes.

Sara.














Encontro do Rio Potengí com o mar - Natal RN
Font…

Amanhecer Juvenil.

Eis que a tormenta se aproxima.
Já se anunciam os cavaleiros.
Todos de pé para o esplendoroso final.
Será o fim? ou começo da tormenta?
Se anuncia amplamente
o tempo retrocedendo
a roda foi movida,
não resta saída.
Todos de pé,
O dia se aproxima.

Eis que caminhava pela estrada
estudantes secundaristas revoltosos
com um insulto
somando força
mais estudantes a caminho
chegamos a um ponto comum
uma pauta comum,
um mesmo método.
Ocupar e resistir.

Mas eis que não muito longe
o nevoeiro já chega
atravessando os quatro cantos
ele ruge e ameaça
a tudo aquilo que conquistamos,
nessa história não sabemos o final.
Mas uma vez, a força juvenil
saiu as ruas com caras pintadas
espreitando os cavaleiros armados.

Sem máscara no rosto não resta nada a temer
a revolta já está inflada
cabe ao povo mover
as vendas.
Eis que o confronto se aproxima
e não se sabe como estará o clima
da batalha
mas já se enxerga o exército sem farda,
mas que com uniforme marcha.
É mais do que se espera,
não é o que se aguar…