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Mostrando postagens de Novembro, 2014

Conto: Eu que Tanto Amo.

Em um dia de novembro, após uma longa chuva, decidi caminhar em volta de um parque próximo a minha casa. Depois de muitos passos caminhados pelo chão lamacento, decidi adentrar o parque e chegar ao lago. Escurecia quando notei uma figura destoante do lago. Temendo espantos noturnos me aproximei vagarosamente. Não muito longe avistei a figura  de uma moça, estava tão assustadora que não reconheci o que com ela se passava.
A moça estava transfigurada, coberta por lama e lágrimas, as mãos tremiam, os lábios molhados.
Me aproximei, me abaixei e perguntei o que lhe havia acontecido, sua voz me pareceu um grunhido.
Perguntei novamente, ela respondeu, me arrependi logo em seguida...
A moça se dilacerava, era uma amante,
e como todo ser que um dia ama, um dia sofre.
Ela sofria.
A moça falou longamente, durante todo o tempo em que estive ali, não olhou em meus olhos.
Sua história me pareceu apenas mais uma das que são narradas na literatura.
A história de um amor não correspondido.
Enquanto el…

Como uma Pedra jogada em um Lago.

Algumas vezes, quando estamos à beira de um lago, pegamos uma pedra qualquer e a arremessamos na água, apenas para ver o efeito que resultará do encontro entre pedra e água.
Algumas pessoas relatam que ao  jogar a pedra na água, esta não afunda imediatamente, ela salta alguns metros, como um respingo, para só depois mergulhar na água e afundar. Às vezes a pedra dá três saltos devido a força com o que é arremessada, às vezes apenas um.
Sinto que uma pedra foi arremessada no meu lago, ela saltou uma única vez, e ao mergulhar provocou um desequilíbrio, gotas saltaram, ouviu-se um barulho na água, Ploft!
Então, ela afundou.
Não é possível trazê-la até a superfície, uma vez que ao afundar a pedra se perde na escuridão do lago, se mistura à outras pedras, as encontra na escuridão e o lago retorna a quietude.
Porém, a quietude parece incomodar, pois há sempre alguém à beira do lago arremessando pedras por pura diversão.
Sendo eu um lago, posso opinar a respeito da quietude ou inquietude.
Se …

Não Me deixe Só...

Não me deixe só,
não neste mar de angústia,
onde se encontram todos os amantes deixados.
Não me deixe só,
onde há escuridão e saudade,
onde nem o luar me acompanha.
Se você soubesse o quanto te procurei,
sem jamais te encontrar,
o quanto de lágrimas derramei a procura do teu abraço.
Se eu te dissesse as palavras que ao vento distribui,
crendo que algum dia elas te alcançariam...
Não me deixe só,
nos meus sonhos vazios.
Nas peles que habito,
nas máscaras que me cercam.
Se eu te pedir a mão,
você me dará, por um instante, no meu caminhar?
Rodeios e rodeios, sem chegar a um ponto final.
Não pense que me distrai
ao te encontrar,
você  fez sentido na minha existência,
pena que nem tudo me é permitido.
Antes que o sol se pusesse
pude ver um adeus qualquer,
mais um na minha existência...
Me deixe só, antes que eu desista ou insista em te perseguir
nos meus sonhos.

Sara.

Fragmento da Música Não me deixe só-Vanessa da Mata.
Imagem por Tumblr.

Correnteza.

Seguir a água de um rio é mais fácil
do que nadar contra a correnteza,
mas eu me questiono se haverá lugar ao fim
para parar, não mais seguir, desistir da imensa e forte correnteza
que quer nos levar.
Nos levar para si, para outro, para o mar...
Eu não sei onde esses versos vão dar, assim como
não sei onde uma correnteza pode me levar.
Sempre que me coloco a observar um rio,
me pego pensando em deixar me levar por ela.
A percepção do deixar-se ir, do não ir, indo.
A facilidade do deixar, acomoda, acalma,
desprende, desata almas aflitas.
Me pergunto se algum dia me deixarei ir.
Ir além, ir também, mas ir.
Ir aonde não se quer chegar, ir a um encontrar.
Um encontrar de sonhos, de medos, amores, desamores,
fracassos, desordens, caos e dores.
Ir  contra-corrente, ausente de entes,
lançados no mundo...
Sentimentos profundos surgirão
quando mergulharmos uns nos outros.
De certa forma, contra a corrente que nos mantêm longe.
De certa forma, a favor da corrente que nos une.
Aprendo que hora e…