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Correnteza.

Seguir a água de um rio é mais fácil
do que nadar contra a correnteza,
mas eu me questiono se haverá lugar ao fim
para parar, não mais seguir, desistir da imensa e forte correnteza
que quer nos levar.
Nos levar para si, para outro, para o mar...
Eu não sei onde esses versos vão dar, assim como
não sei onde uma correnteza pode me levar.
Sempre que me coloco a observar um rio,
me pego pensando em deixar me levar por ela.
A percepção do deixar-se ir, do não ir, indo.
A facilidade do deixar, acomoda, acalma,
desprende, desata almas aflitas.
Me pergunto se algum dia me deixarei ir.
Ir além, ir também, mas ir.
Ir aonde não se quer chegar, ir a um encontrar.
Um encontrar de sonhos, de medos, amores, desamores,
fracassos, desordens, caos e dores.
Ir  contra-corrente, ausente de entes,
lançados no mundo...
Sentimentos profundos surgirão
quando mergulharmos uns nos outros.
De certa forma, contra a corrente que nos mantêm longe.
De certa forma, a favor da corrente que nos une.
Aprendo que hora esta corrente é forte, mais seguro é manter-se longe,
hora essa corrente é calma, mais seguro é manter-se perto, tão perto
quanto dentro. Afinal, não sabemos quando ela nos deixará ir,
ir ao seu encontro ou desencontro, só ela saberá.

Sara.


Imagem do Blog Redemoinho
http://lansaraujo.blogspot.com.br/

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