Pular para o conteúdo principal

O Silêncio dos Amantes- Lya Luft.

Este texto não é uma resenha.

Eu nunca te disse mas, costumo me apaixonar por livros.

Eu caminhava pela Biblioteca Central (UnB) procurando livros acadêmicos,
quando avistei "O silêncio dos amantes" Lya Luft.
Eu estava triste como de costume, ansiosa também, apenas pelo  fim do semestre, mas esse título...
esse título me tocou fundo, acho que tocou minha alma.
Então, naquele instante me veio uma sugestão, e se eu ler uma página qualquer, se for legal eu levo se não, não levo.
Um título "O perdão", um conto.
Dez páginas depois, o levei para casa.
Que paixão arrebatadora, a cada conto que eu lia despertava em mim, sentimentos desconcertantes.
Alguns como "O fruto do meu ventre", eu não gostei do final, queria mais páginas.
O que senti ao ler este livro? Assombro.
Este é  um livro sobre o silêncio, e o que este pode significar para uma ou mais pessoas.
Confesso que adiei o término da leitura, mas só consegui uma semana, pois eu devorava cada página sem perceber, tive que me conter.
Em alguns contos há temáticas que se repetem: Avó, Mar, perda, criança, etc.
Porém, a cada volta a autora dava uma uma nova roupagem e um novo significado para a temática.
É surpreendente, pois enquanto escrevo este texto, sinto meu estômago revirar, não é por ânsia, mas por ainda digerir todos os sentimentos que quatro contos seguidos  deste livro me fizeram ter.
Estou entrecortada por sentimentos.
Como já se percebeu, este é um livro intenso, portanto não se atreva à lê-lo desprevenido de um estado de espírito confortável.
É claro que o que eu senti, talvez você não sinta, isso depende de muitas variáveis, história de vida, seu momento de vida, etc. Por isso não espere sentir o mesmo que eu, mas saiba que há paixões escondidas em muitas estantes de bibliotecas perdidas, esperando por você.

Agora um poema:

Há algo entre nós,
subentendido.
Algo que surge naquele olhar.
Em instantes perdidos.
Não consigo descrever,
só sentir,
Tenho medo do que pode estar nisso.
Essa é uma reação natural ante o desconhecido.
Eu posso nomeá-lo, mas não posso preenchê-lo
sem você.
Silêncio.

Sara.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Medo.

Quando um ser humano
sente medo de outro ser humano,
esse medo é aprendido.

É difícil olhar nos olhos das pessoas
Que vivem na margem da sociedade,
Quando você não vive.

É difícil saber que ele ou ela não tem o que comer,
onde dormir, alguém pra dar um abraço.
Dói saber que quando ele se aproxima de mim pra pedir dinheiro
Eu sinto medo.

Eu sei que ele ou ela é mais do que a rua.
Eles não vieram do nada,
não nasceram na rua.
Mas diversas circunstâncias os levaram a rua.

Eu sei que ele percebe meu medo
E que isso o entristece.
É duro saber que o outro sente medo de você.
Quando você sabe que esse medo não tem razão.

Eu sei que essa pessoa tem uma história,
tem pessoas que a ama,
tem pessoas que a deixaram,
tem pessoas que cuidam dela.

Eu sei que somos de mundos distintos
Mas me nego a aceitar esse medo.
Eu preciso parar de sentir medo
E enxerga-lo como alguém
que é muito mais do que a sua condição de vida.

Ele e Ela são muito mais do que a rua mostra.
E eu quero conversar com eles e con…

Reencontrando-nos.

Por duas vezes nos despedimos,
por  duas vezes nos reencontramos.
Eu não quero pensar no depois,
no que virá a seguir.
Eu quero viver esse momento
como se fosse o último.

E se...
não sei,
desisto de saber.
Eu já te escrevi tantos poemas.
Sei que não leu um terço deles.
Talvez seja aterrorizante
saber o que eu sinto por você.
Talvez você apenas se esqueça.
Já não me importa
Agora eu conheço o caminho
e só eu posso desistir de caminhar.

Nos últimos dias eu deixei
de habitar um certo lugar
Um tão conhecido
tão arredio
tão meu lugar.
Um espaço para o vazio
em que eu me guardava.
Era um poço de segurança,
mas também um buraco no isolamento.
Ali não soprava vento
nem assobio ressoava.
Ali eu não cantava,
mas então você chegou
e me disse que eu podia sair.
Era só o que eu esperava ouvir,
mas ninguém havia chegado tão perto
a ponto de me dizer.

O mundo é tão novo como jamais foi igual.
Muito depende de mim,
agora muito mais do que antes.

Sara.














Encontro do Rio Potengí com o mar - Natal RN
Font…

Amanhecer Juvenil.

Eis que a tormenta se aproxima.
Já se anunciam os cavaleiros.
Todos de pé para o esplendoroso final.
Será o fim? ou começo da tormenta?
Se anuncia amplamente
o tempo retrocedendo
a roda foi movida,
não resta saída.
Todos de pé,
O dia se aproxima.

Eis que caminhava pela estrada
estudantes secundaristas revoltosos
com um insulto
somando força
mais estudantes a caminho
chegamos a um ponto comum
uma pauta comum,
um mesmo método.
Ocupar e resistir.

Mas eis que não muito longe
o nevoeiro já chega
atravessando os quatro cantos
ele ruge e ameaça
a tudo aquilo que conquistamos,
nessa história não sabemos o final.
Mas uma vez, a força juvenil
saiu as ruas com caras pintadas
espreitando os cavaleiros armados.

Sem máscara no rosto não resta nada a temer
a revolta já está inflada
cabe ao povo mover
as vendas.
Eis que o confronto se aproxima
e não se sabe como estará o clima
da batalha
mas já se enxerga o exército sem farda,
mas que com uniforme marcha.
É mais do que se espera,
não é o que se aguar…