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Mostrando postagens de Janeiro, 2015

Apenas Versos...

Você materializa todos os temores da minha vida,
e também todos os meus sonhos.
Você é a ponte que me liga a este mundo
e é também o caminho que devo percorrer
para me encontrar.
Com você eu acordo,
e quando eu te olho nos olhos
sinto que há coisas que não consigo ver.
As suas mãos não são idênticas
e isso faz você parecer assimétrico em todos os lugares.
Você parece uma represa prestes a romper.
Às vezes sinto medo da sua sinceridade, mas sinto muito mais medo
da sua ingenuidade.
Você tem muitos sonhos,
me pergunto se você vai realizá-los.
Você finge não enxergar o mal que  há em você,
me pergunto se você faz isso com propósito.
Você se abstém de muitas coisas,
eu me pergunto se você não as deseja profundamente
e por isso se nega à possuí-las.
Você não faz sentido, mas procura um guia para sua vida.
Eu me assusto com sua distância,
queria ser mais próxima de mim.
Eu falo de um desconhecimento,
de uma dissociação, de alguém que não reconhece o rosto
que vê em seu reflexo.
Eu sou todos…

O Devaneio de Angeline.

Enfim descansa, aquilo que te formou.
Debruçada sobre a terra.
O Céu, ela se pôs a contemplar.
Pensar às vezes custa caro.
Germinou. aquilo que ela plantou a tanto tempo atrás.
Tarde demais?
Nunca é tarde para cultivar algo.
As nuvens assumiam formas conhecidas,
mas impossíveis de ser descritas.
A cada piscada, uma cena diferente no céu.
Ela insiste em querer descrevê-la,
mas ela é fugaz.
Se desfaz tão facilmente
que não há tempo para descrevê-la minunciosamente.
A razão se foi
e não sobrou nada para racionalizar...
A sombra sobre a qual ela se deita,
se movimenta com o vento.
Não há motivos para querer levantar,
mas algo dentro dela anseia pelo sono.
Ela aceita o convite, adormece.
Como se tivesse dificuldade para emergir da água.
Olhos semicerrados,
Uma mão vai aos olhos e outra pressiona para levantar o corpo.
A sombra já se foi, o sol a desperta em sua cama.
Ela não se lembra de ter ido para a cama na noite anterior.
Ela não se lembra de seus sonhos.
Ela amanheceu com uma frase na…

A Casa, a Rosa, há Vida.

Há uma casa ao longe,
que costumo chamar de lar.
Escondo muitas coisas em suas paredes.
No jardim plantei, mas algumas plantas não vingaram...
Não desisti, insisti para que algo nascesse ali,
mas nada vingou
e de novo me frustrei.
Sempre achei que a culpa fosse minha,
uma incompetência, mas sou demasiado desatento.
Havia algo não cultivado, que crescia sem que eu notasse.
Sorri, à primeira vez que a vi.
Linda roseira branca,
que um certo dia floresceu...
Esta casa ao longe, me traz paz,
me faz sentir completude.
Certo dia, eu quis partir.
Não que a casa estivesse ruim, mas depois de um tempo
juntando coisas nas paredes, comecei a me sentir incapaz.
Incapaz de ser o alicerce dessa casa,
de sustentar minhas lembranças,
de cultivar minha roseira.
Não fui muito longe,
a culpa era minha, eu construí a casa.
Decidi voltar, esvaziar as paredes,
nesta casa eu não me sentia só.
E isso me bastava,
nesta casa havia vida,
e vida esta casa cultivava.

Sara.
Retirado de bela001.wordpress.com