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O Devaneio de Angeline.

Enfim descansa, aquilo que te formou.
Debruçada sobre a terra.
O Céu, ela se pôs a contemplar.
Pensar às vezes custa caro.
Germinou. aquilo que ela plantou a tanto tempo atrás.
Tarde demais?
Nunca é tarde para cultivar algo.
As nuvens assumiam formas conhecidas,
mas impossíveis de ser descritas.
A cada piscada, uma cena diferente no céu.
Ela insiste em querer descrevê-la,
mas ela é fugaz.
Se desfaz tão facilmente
que não há tempo para descrevê-la minunciosamente.
A razão se foi
e não sobrou nada para racionalizar...
A sombra sobre a qual ela se deita,
se movimenta com o vento.
Não há motivos para querer levantar,
mas algo dentro dela anseia pelo sono.
Ela aceita o convite, adormece.
Como se tivesse dificuldade para emergir da água.
Olhos semicerrados,
Uma mão vai aos olhos e outra pressiona para levantar o corpo.
A sombra já se foi, o sol a desperta em sua cama.
Ela não se lembra de ter ido para a cama na noite anterior.
Ela não se lembra de seus sonhos.
Ela amanheceu com uma frase na cabeça:
Enfim descansou, aquilo que te formou...
Passou o dia pensando naquela frase...

Sara.

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Deixa

Deixa vir esse cabelo no rosto
essas lágrimas guardadas
essas palavras não ditas
que te entopem.

Deixa,
Deixa nascer um espaço entre n-ó-s.
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depois de uma crise de choro.

Deixa,
Deixa o tempo andar devagar
e te olhar
para ver como é que você está se fazendo
se moldando, se construindo.

Deixa,
Deixa o silêncio surgir sorrateiro
trazendo a tona o barulho
que antes estava aqui

Deixa,
Deixa a sua vontade dizer firme que te incomoda o desejo
O desejo de um outro alguém
Deixa
Deixa a gente ganhar espaço,
alçar voos distantes.

Deixa,
Deixa eu pousar um instante
para recuperar o fôlego
Depois do esforço
de tentar te fazer apaixonar...

Deixa,
Deixa o espaço se fazer entre nós
e quando ele tiver se instalado
a gente olha.

Sara.

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Sara.

*Livro: "O Beijo no Asfalto", Nelson Rodrigues.
*Música: "Provável Canção de Amor para Estimada Natália", Banda Mulamba.

Contraponto.

Foi quando um contraponto aconteceu...           Meu andar altivo encontrou seu andar ensimesmado Meu olhar furtivo encontrou seu olhar doce. Minhas longas conversas encontraram suas perguntas profundas e certeiras. Foi quando eu vi a idade da minha alma Ao me deparar com a idade da sua. Foi nas nossas conversas inteligentes que vi os nossos interesses em comum. Foi quando você segurou minha mão, que eu percebi o tamanho do meu passo. Assim que você se mostrou confusa eu vi nascer a certeza da impermanência entre nós. Nós somos um contraponto, Que ora se encontra, ora se distancia. Mas seu sorriso terno E meu olhar amoroso se misturam Quando a gente se olha no começo do dia. Minha alta exposição encontrou seu mistério. Minha mão encontrou seu cabelo E sua boca a minha orelha E foi amor à primeira vista entre eles. Mas também foi onde você não me prometeu a eternidade E eu aceitei a transitoriedade
de nós. Foi quando aconteceu A minha intensidade encontrou o seu breu E se dissipou, s…