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A Fuga.

Tentamos forjar com nossas próprias mãos (e palavras ou pensamentos)
uma ideia sobre o que seja viver.
Porque sabemos que estamos fugindo.
Fugindo de nós e dos outros.
Não buscamos contato, pois temos medo.
Distraímos-nos na busca por conhecimento.
Queremos preencher o vazio.
Se somos um ser social, Por que fugimos do outro?
Porque nos vemos refletidos no outro.
Nossos medos, angústias, anseios, frustrações...
refletidos, nos aterrorizam.
Buscamos o conhecimento como forma de explicação
para o caos que é a vida.
Sem escapatória, relutamos.
Recorremos à ideia do que possa ser a vida.
Cada ser humano sobre a face dessa terra,
forja a sua ideia sobre o que seja viver.
Conceitos, meros conceitos sobre a vida e sobre o viver.
Criamos, forjamos teorias, proposições, histórias, ideias, conceitos, doutrinas...
vida, inventamos a vida por medo de nós mesmos.
Lemos incansavelmente, estudamos,
estudamos, pois aprender é estimulante e dá sentido para quem o procura.
Porque no fim, todos a sua maneira não conseguem se colocar frente a outro ser humano,
de ser humano para ser humano, nós preferimos nos esconder atrás das máscaras
que nos são dadas pela sociedade ou por nós mesmos na angústia da fuga.
Talvez essa seja a função do conhecimento, preencher e explicar
o que seriam os humanos, caso fossem humanos.

Sara.
Baseado na nota de Philip Quarles sobre os "intelectuais e sua busca por evidência da existência" (pp 326-330). Livro "Contraponto" Aldous Huxley, Editora Abril, 1971.

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Deixa

Deixa vir esse cabelo no rosto
essas lágrimas guardadas
essas palavras não ditas
que te entopem.

Deixa,
Deixa nascer um espaço entre n-ó-s.
para que alguém possa respirar
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Deixa,
Deixa o tempo andar devagar
e te olhar
para ver como é que você está se fazendo
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Deixa,
Deixa o silêncio surgir sorrateiro
trazendo a tona o barulho
que antes estava aqui

Deixa,
Deixa a sua vontade dizer firme que te incomoda o desejo
O desejo de um outro alguém
Deixa
Deixa a gente ganhar espaço,
alçar voos distantes.

Deixa,
Deixa eu pousar um instante
para recuperar o fôlego
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Deixa,
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Sara.

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Sara.

*Livro: "O Beijo no Asfalto", Nelson Rodrigues.
*Música: "Provável Canção de Amor para Estimada Natália", Banda Mulamba.

Contraponto.

Foi quando um contraponto aconteceu...           Meu andar altivo encontrou seu andar ensimesmado Meu olhar furtivo encontrou seu olhar doce. Minhas longas conversas encontraram suas perguntas profundas e certeiras. Foi quando eu vi a idade da minha alma Ao me deparar com a idade da sua. Foi nas nossas conversas inteligentes que vi os nossos interesses em comum. Foi quando você segurou minha mão, que eu percebi o tamanho do meu passo. Assim que você se mostrou confusa eu vi nascer a certeza da impermanência entre nós. Nós somos um contraponto, Que ora se encontra, ora se distancia. Mas seu sorriso terno E meu olhar amoroso se misturam Quando a gente se olha no começo do dia. Minha alta exposição encontrou seu mistério. Minha mão encontrou seu cabelo E sua boca a minha orelha E foi amor à primeira vista entre eles. Mas também foi onde você não me prometeu a eternidade E eu aceitei a transitoriedade
de nós. Foi quando aconteceu A minha intensidade encontrou o seu breu E se dissipou, s…