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Mostrando postagens de Maio, 2015

Juliano Holanda - Ouriço

Ouriço
Juliano Holanda

Que descuido meu,
Pisar nos teus espinhos.
É essa mania minha
De olhar pro céu,
Com a cabeça ao léu

Voando sem asa,
Vez ou outra esbarro
Nos móveis da casa
E outra vez tropeço
Nos próprios caminhos
Que descuido meu,
Pisar nos teus espinhos.


Letra por http://letras.mus.br/juliano-holanda/ourico/

Vídeo por Juliano Holanda

Juliano Holanda: voz e guitarra
Isadora Melo: voz
Areia: baixo
Zé Manoel: Teclado
Tom Rocha: bateria
Ps: Música Belíssima, interpretação incrível.

A Máscara de Ferro do meu Quintal.

Quando construí minha máscara (com ferro, pois era um material abundante em meu quintal)
a moldei em brasa, no formato do meu rosto.
Enquanto eu crescia, reformulações eu fazia,
até que chegou o tempo em que eu não cresceria mais.
Era a velhice, dali em diante o inverso aconteceria.
Ninguém jamais viu meu rosto, na frente de outras pessoas
eu não tirava a máscara.
A fabriquei para ser forte, parecer forte, me fazer forte.
Porém, com o passar dos anos fui mudando, por dentro e por fora,
sem que eu percebesse,
minha máscara de criança transformou meu rosto, minha pessoa, meu ser.
As brechas que eu não consegui tapar com o ferro, exigiam de mim,
mais aplicação na remodelação de minha máscara.
Assim, meu rosto foi secando, comprimindo-se, adequando-se a máscara.
Fui empalidecendo,
manchas arroxeadas se formaram abaixo dos meus olhos.
Me tornei um espectro de pessoa e não percebi,
a cada fez que eu emagrecia, uma nova reformulação na máscara eu fazia,
até o dia em que o ferro se fundiu a c…

Além de mim.

Hoje ao sair de casa, esqueci de prender o cabelo.
Perdi a chave da porta,
errei a chave na fechadura.
Tudo ficou desarrumado,
minhas roupas pelo sofá,
meus gatos sobre a cama.
Eu sinto que esqueço de uma coisa importante.
Mas o quê?
Talvez tenha sido um sonho diferente.
Tive sonhos aleatórios essa noite,
sonhos sobre filas no metrô
e a minha recomendação do livro que estou lendo
para uma pessoa que nunca vi.
Acho que deixei o portão aberto
 e eles fugiram.
Não, os gatos continuam na cama.
Acho que eles estão perdidos.
Sei que buscam meu caderno,
lugar onde eu os deixava livres.
Não vou tentar capturá-los.
Sei que estão a solta no mundo, circulando.
Talvez alguém os acolha por alguns instantes, talvez não.
A culpa é minha, eu nunca lhes dei limites.
Eles só quiseram alcançar outros espaços.
Julguei que meu mundo fosse suficiente, não foi.
Terminarei por aqui,
antes que mais deles possam sair.
Neste momento, eles estão além de mim.


Sara.