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A Máscara de Ferro do meu Quintal.

Quando construí minha máscara (com ferro, pois era um material abundante em meu quintal)
a moldei em brasa, no formato do meu rosto.
Enquanto eu crescia, reformulações eu fazia,
até que chegou o tempo em que eu não cresceria mais.
Era a velhice, dali em diante o inverso aconteceria.
Ninguém jamais viu meu rosto, na frente de outras pessoas
eu não tirava a máscara.
A fabriquei para ser forte, parecer forte, me fazer forte.
Porém, com o passar dos anos fui mudando, por dentro e por fora,
sem que eu percebesse,
minha máscara de criança transformou meu rosto, minha pessoa, meu ser.
As brechas que eu não consegui tapar com o ferro, exigiam de mim,
mais aplicação na remodelação de minha máscara.
Assim, meu rosto foi secando, comprimindo-se, adequando-se a máscara.
Fui empalidecendo,
manchas arroxeadas se formaram abaixo dos meus olhos.
Me tornei um espectro de pessoa e não percebi,
a cada fez que eu emagrecia, uma nova reformulação na máscara eu fazia,
até o dia em que o ferro se fundiu a carne e aos ossos.
E já não se pode distinguir o que era eu e o que era máscara.
Quando me dei conta, já estava a beira da morte, e em
uma completa carcaça eu vivia.
Chovia quando tudo aconteceu,
eu caí e onde estava permaneci,
o ferro penetrou meu coração.
Só me sobrou um relato,
que escrevi momentos antes da chuva.

Sara.


Imagem por
Osman Andrei

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