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Mostrando postagens de Julho, 2015

A Luta.

Ah! Se eu pudesse gritar!
Se de dentro de mim
eu pudesse arrancar o que
me prende.
Se eu quebrasse minhas barreiras.
Se eu me tornasse inteira.
O que você diria de mim?
Ah! Se tudo o que me compõe fosse desfeito, refeito
Traduzido para o mundo.
Você acreditaria em mim?
Na minha existência?
Como cuidar, se eu,
logo eu que nem sempre fui cuidada.
Devo respeitar, descentralizar
meu olhar de mim.
O outro também sou eu.
Eu e o outro somos o mundo inteiro.
Segura a minha mão, um instante?
Pra você sentir
o que eu sinto.
Você veio aqui
"Para conversar comigo ou para me humilhar"
Desculpe, eu não sei o seu nome.
Quantos nomes eu não sei?
Estou transbordando de mim,
de você, de nós.
só vou deixar esses pensamentos livres
por alguns instantes,
não mais que isso.
Me desculpe, traduzir cansa.


Sara.
*Após uma visita ao Hospital São Vicente de Paula (Brasília, Brasil), que ainda mantêm o modelo de manicômio, em que os pacientes estão em situação de sofrimento extremo que é agravada pelo a…

Asas?

Asas?
Para quê asas?
Se de mim só saem amarras.
Asas?
Por que asas?
Asa, Azar, ah!
Nada fez sentido.
Finalmente!
Não existem palavras
para compor meu
estado de espírito.
Sentimentos
Para quê servem?
Emaranhado
Embolado
Como esticar?
Sentir, me sentir.
Me colocar
Em-pa-tia
Eu sou você
Sinto como você
Sento como você
Sofro, choro, rio como você.
Me diz o que fazer?
Minha angústia é a sua angústia.
Eu não sei Samuel.
O que é vossa alteza me ensina.
Eu bati continência.
E ainda baterei, sempre.
Novo gamense como eu.
Ser humano como eu, Samuel.
Como transpor
uma dor
para o papel?
Como rasgar o véu
que nos separa?
Não me diga.
Me deixa sentir
O que você sente.

Sara.

As Dunas do tempo.

Nas arestas do tempo, as areias produzem dunas.
Dunas que são nossos momentos vividos,
algumas são firmes e perduram
outras passam um vento e elas se desmancham,
outras são miragens, nem existem, nem existiram
mas nos influenciam.
São nestas arestas que se cruzam diferentes momentos,
diferentes vidas, dunas, pessoas.
Não podemos afirmar que as dunas não se alteram,
não mudam de forma, de conteúdo, não mudam a direção do vento.
Cada corrente de ar é guiada para uma duna,
que pode barrá-la ou não, que espalha-se ou não,
mas quem saberá quantas dunas formam uma vida,
quantas vidas formam uma pessoa,
quanto vento é necessário para mudá-las.
Nessa aresta, pode ser noite, pode ser dia,
nunca se sabe quando haverá uma intersecção entre duas faces, vidas, pessoas,
dunas...
Enfim, "tudo o que sei é que nada sei"
disse o filósofo Sócrates.
Talvez não saibamos mesmo quantos cruzamentos são necessários
para findar uma vida, duna, pessoa...
E assim, o deserto do tempo muda de forma, semp…

O peso do Mundo.

Continuação.

Sobre ombros cansados,
alguém leva o peso do mundo.
Não se pode dizer que não tenha tentado lutar para não cair,
não sucumbir a criatura.
Por não ser palpável
tudo se tornava mais difícil.
Não pensou em pedir ajuda.
Não sabia como,
até que novamente choveu naquele dia.
O céu se desmanchava,
ele acreditava que não tinha solução,
jamais se libertaria.
No entanto, alguém apareceu em sua vida.
A identificação entre eles foi genuína.
Ele também carregava uma criatura.
Não havia como retirá-la, ele dizia,
nem mesmo adestrá-la.
Talvez nem viva a criatura se encontrava.
Disse-lhe apenas que havia maneiras de
não deixá-la matá-lo.
Ainda que tudo parecesse nada.
Ele devia sair, falar sobre ela,
contar aos amigos.
Esclarecer com cuidado que precisava de abrigo.
No meio de muitos, ele travaria uma guerra
dia-a-dia contra a anedonia,
que agia no oculto,
sozinho, ele jamais conseguiria detê-la.
Não se fala em cura, mas que ele acostumou-se,
aprendeu a lidar com ela
e decidiu preencher …

O Pato, a Morte e a Tulipa.

Obs: ATIVE A LEGENDA!

Esta é uma animação baseada no livro "O Pato, a Morte e a Tulipa" de Wolf Erlbruch.
Um Pato recebe a visita da tão temida Morte,
mas sem que ele percebesse, ela sempre esteve no seu encalço.
Uma amizade se forma e mesmo a Morte, de tão acostumada com seu trabalho
jamais pensou em se aproximar tanto de alguém como se revelou ao Pato.
Essa história faz pensar em um tema que não pensamos muito,
que preferimos talvez ignorar por medo ou simplesmente esquecimento.
No entanto, certas coisas sempre nos cercam,
mesmo que nós tenhamos preferido não vê-las.
Assim, essa leitura de frases singelas, mas extremamente profundas vai
tocado seus pensamentos que foram deixados de lado,
como aquele similar ao do Pato " Vai ser difícil para o lago ficar assim tão solitário, sem mim, quando eu..."
Morrer.
Sim, tocar em sentimentos tão misteriosos faz a vida parecer uma passagem para o desconhecido,
que nem mesmo a Morte conhece o além.
Além, além do quê?
Não sei,…