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As Dunas do tempo.

Nas arestas do tempo, as areias produzem dunas.
Dunas que são nossos momentos vividos,
algumas são firmes e perduram
outras passam um vento e elas se desmancham,
outras são miragens, nem existem, nem existiram
mas nos influenciam.
São nestas arestas que se cruzam diferentes momentos,
diferentes vidas, dunas, pessoas.
Não podemos afirmar que as dunas não se alteram,
não mudam de forma, de conteúdo, não mudam a direção do vento.
Cada corrente de ar é guiada para uma duna,
que pode barrá-la ou não, que espalha-se ou não,
mas quem saberá quantas dunas formam uma vida,
quantas vidas formam uma pessoa,
quanto vento é necessário para mudá-las.
Nessa aresta, pode ser noite, pode ser dia,
nunca se sabe quando haverá uma intersecção entre duas faces, vidas, pessoas,
dunas...
Enfim, "tudo o que sei é que nada sei"
disse o filósofo Sócrates.
Talvez não saibamos mesmo quantos cruzamentos são necessários
para findar uma vida, duna, pessoa...
E assim, o deserto do tempo muda de forma, sempre.


Sara.

Imagem retirada da internet.

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Contraponto.

Foi quando um contraponto aconteceu...           Meu andar altivo encontrou seu andar ensimesmado Meu olhar furtivo encontrou seu olhar doce. Minhas longas conversas encontraram suas perguntas profundas e certeiras. Foi quando eu vi a idade da minha alma Ao me deparar com a idade da sua. Foi nas nossas conversas inteligentes que vi os nossos interesses em comum. Foi quando você segurou minha mão, que eu percebi o tamanho do meu passo. Assim que você se mostrou confusa eu vi nascer a certeza da impermanência entre nós. Nós somos um contraponto, Que ora se encontra, ora se distancia. Mas seu sorriso terno E meu olhar amoroso se misturam Quando a gente se olha no começo do dia. Minha alta exposição encontrou seu mistério. Minha mão encontrou seu cabelo E sua boca a minha orelha E foi amor à primeira vista entre eles. Mas também foi onde você não me prometeu a eternidade E eu aceitei a transitoriedade
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