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Mostrando postagens de Setembro, 2015

No Tempo.

Ah tempo! Dama a qual chamamos vida. Porque leva o rosto das pessoas que um dia amamos?
Ah tempo! Figura imaterial que leva embora os momentos, aquilo que vivemos e que não podemos resgatar, pois cada momento mesmo sendo a memória de outro é um novo momento.
Ah figura simplória! Que de tão grande abarca tudo o que nos rodeia e o que sobra somos nós mesmos.
Imersos sempre imersos no tempo.
Não somos atemporais, vez ou outra esbarramos em nossa temporalidade.
Vagos, tão vagos quanto um relógio que conta o tempo.
Nos iludimos acerca do controle do tempo.
Percepção do tempo é a simples maneira de nomearmos como vemos o tempo.
O que é o tempo?
Um indescritível argumento a favor da nossa existência?
Talvez nós o tenhamos criado, o tempo é anterior a nós?
Mas, se ele existe quando eu o percebo, como poderia ser anterior à mim?
Eu e o tempo somos inerentes um ao outro.
O tempo está em mim, assim como eu estou no mundo.
Ele me perpassa e eu o percebo.
Ah tempo! Há tempo para pensar em nós?


Sar…

Águas correntes...

Eu não permito,
não permito que você escape pelos meus dedos.
Não permito que você parta,
não permito que você chore.
Eu não quero.
Eu não quero ter que te olhar pela última vez.
Eu não quero ver o que o tempo desfez,
sem a minha permissão.
Eu não insisto,
não insisto em te segurar em meu abraço.
Não insisto em te tomar pelo braço
e te fazer seguir meus passos,
mas eu desisto.
Desisto de não permitir a sua ida.
Desisto de adiar a despedida.
Desisto de te sufocar em laços.
Desisto de te prender em meus versos,
de te conter em minha memória,
de desejar traçar uma história
em que está claro não haver continuação.
Eu me permito,
deixar ir
as palavras que guardei pra ti.
Como um rio que precisa correr,
como as águas que precisam seguir,
águas que jorram de uma alma,
minha alma.

Sara.