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Mostrando postagens de Dezembro, 2015

Dentro.

Você sabe o que é o amor?
Você ama?

Já me disseram que o amor é um produto do capitalismo,
criado para ser consumido.
Sempre sonhado, nunca vivido.
Inventado para controlar ou iludir as massas.
Um dispositivo de regulação das mulheres
o fio que conduz marionetes.
Sempre fantasiado, nunca alcançado.

Já me disseram que o amor é um entretenimento,
uma ilusão.
Uma histeria coletiva.
Já me disseram que o amor é real,
que move o mundo,
que move pessoas.
Um discurso há muito veiculado,
sempre repetido, nunca questionado.

Já me disseram que o maior amor é o de mãe.
Já me disseram que esse amor controla, subjuga,
que direciona um papel a ser desempenhado.
Já me disseram que mulher de verdade
 é a que se torna mãe.

Já me disseram que um dia vou encontrar alguém que dará sentido para toda a minha vida,
pois nada do que conquistei até agora tem sentido sem um grande amor.

Existe algo rançoso, pesado, grande
dentro de mim, que também me faz questionar.
Esse algo é cheio de verdades contraditórias …

A Fera.

Um grito contido.
Um olhar atormentado
Um choro calado
Um ser perdido.
Há uma fera enclausurada,
ela grita de dor,
ela está ferida.
Sua face molhada
Ela quer silenciar o mundo
Para que só o seu grito seja ouvido.
Sua respiração está fraca,
seus olhos marejados.
Sua face contorcida
expressa a solidão.
A fera se cala
suas forças se esgotam,
ela está cansada.
Houve raiva, medo
e tristeza.
Houver lamento, agonia
desespero.
A fera ainda arranha a parede lentamente.
Está me deixando nauseada.
Às vezes me contorço,
mas disfarço.
Não é prudente transparecer
a fera em mim.

Sara.

Eu serei boa.

Por todas as vezes que eu me perdi.
Por todas as lágrimas que derramei.
pela dor que senti.
Pelo abraço que desejei
mas não obtive.

Sempre estive aqui
nesse canto escuro da casa.
Onde as visitas não chegam,
mas as crianças se escondem.

Por todo o tempo
em que eu não quis sair.
Pelo não que muitas vezes ouvi.
Pela dor, que não consegui omitir.

Sabe aquele afago pela manhã
sabe aquele gesto de adeus,
não fui eu quem fez,
mas eu vi
e senti que era para mim.

Sempre que o sol se põe
sinto um aperto no peito
parece a solidão
me chamando para perto.

Ela me segue sem que eu queira
me espreita nas esquinas
diz que eu a mereço.
Mas eu ignoro,
sigo caminhando,
o caminho faz o caminhante,
deixar a tristeza pelo trajeto
faz parte da minha existência.

Não pense que eu não tenho alegria,
mas ela também se esconde
nos meus devaneios da tarde.

Sara.
Inspirado na música abaixo:
I'll Be Good-
Jaymes Young.





Hiato

Um hiato no mundo.
Vagando entre pessoas,
em becos, no escuro,
no claro.
Mais do que uma diferença,
mais do que um marcador,
mais do que uma característica.
Uma fenda, algo que não devia estar ali.
Inteligível, mais do que incompreendido.
Inacessível.
Um terço do mundo achava que não existia,
o resto,
era o resto.
Sabe aqueles momentos
em que a existência dói?
Não.
Elo sabia.
Sempre que havia,
a dor impelia
a se machucar.
Era insuportável existir.
Mesmo hiato, resistiu por muito tempo
pensou em ceder a dor.
Para a dor ir,
mas a dor não ia.
Sabia que o logo
nem tão cedo chegaria.
Já não se importava,
esperar era o caos.
Mas morrer não podia.
Mesmo hiato tinha
alguém que não podia deixar.


Sara.