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Mostrando postagens de Fevereiro, 2016

Akai Ito

Sorrateiro, tempestivo,
um olhar é o suficiente.
De forma cruel
Ele se apodera de alguém
e o torna receptáculo
de desejos infundados.

Angustiador, descompromissado,
Egoísta, prima por ser alcançado.
A luta não inclui companheiros
sua caminhada é solitária
faz arrepiar, e torna todos os jogadores em perdedores.

Articulador, impõe jogos de sedução
reduz as vítimas a peões.

Quando afligidos por tamanha trapaça
sempre nos perguntamos se poderemos fugir.
Sempre nos damos conta
de como estamos atados
por laços de desejo
tão finos quanto seda
tão perfumados quanto rosas
tão perigosos quanto a ambição humana.

Haverá espaço para suprimir
ordens de um ser impalpável
que nos torna escravos?

Sara.

Akai Ito ou a linha vermelha do destino.
Linha que conecta seres humanos.
Lenda chinesa e japonesa
a respeito do encontro traçado pelo destino para duas pessoas.

Dias de Verão.

Meu amor é uma flor solitária,
que vagueia pelo campo a procura de ser correspondido.
Em um grande descampado,
no verão o sol arde sobre a cabeça de um trabalhador.
Ainda assim, uma breve brisa passa
fazendo o suor no corpo escorrer frio.
Em dias como esse não há motivos
para não trabalhar.
No fim do dia vê-se os raios do sol
perpassarem as casas fazendo-nos sentir
tocados pela beleza da poeira no ar.
Nesses mesmos dias
meu amor se dá conta
de sua solidão.


Sara.
Brasília, Centro de Convenções Israel Pinheiro.

Chico Buarque & Nara Leão - João e Maria

João e Maria
Chico Buarque e Nara Leão.

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

Composição: Chico Buarque / Sivuca