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Mostrando postagens de Junho, 2016

Profundo Pesar.

Deixo rastros de mim
pelos lugares que passo.
Estou transbordando.
Perdi a muito tempo
a tampa, o fecho,
o telhado
das minhas vontades.
Se existem caminhos para percorrer
eu percorro,
mas não sem deixar partes de mim
pelo chão,
pela parede,
pelo caminho.
Até parece que ando sozinho,
pois sinto uma imensa solidão.
Desejos são finitos
e tem uma função
a-gre-ga-ção.
Então
por que não é possível
combatê-los?
O que nos diferencia?
O que nos torna inacessíveis?
Soterrados
pelos fardos
do sentir.
Camuflados
procurando a saída
dos desejos contraditórios.
A fim de abatê-los.
Me encontro armada
da cabeça aos pés
de barreiras sociais
que não me permitem
deter as vontades que me cercam.

Sara. "Another day in hell"- Imagem por Bernado Moreira.

Onde estará você agora?

Foi preciso chegar ao fim do caminho
para perceber que havia uma curva
e que era lícito seguir adiante
para além mar.

Fui descendo as escadarias
e percebendo o quão
ingrime são os meus sentimentos,
abissais

Sombras que me cercam
dizem de mim
meus medos
meus sonhos
minhas caminhadas solitárias
dizem mais do que minha fala.

Pisando em trilhos velhos
restos de uma antiga estrada
percebi o quão velho eu sou
Se as raízes avançam pelo ferro
as cicatrizes crescem sobre o meu peito
Enervando-se sobre mim

Sou tão teu quanto um pássaro que pousa na janela,
mas o inverso é mais válido
descobri que você pousou no meu umbral
porque chovia lá fora
mas teu lugar
está além daqui

Sara.


Carta de Despedida.

Quando em  mim só houver barreiras
e eu me tornar uma parede,
dentro de mim só restarão trevas.
Quero que você perceba,
pois não estarei mais aqui
onde você me encontra
com um largo sorriso
e disposta a não te deixar ir.

Quando meu olhar parecer disperso
e meus gestos incompreensíveis
quando o diálogo estiver impossível.
Quando não houver saída
a não ser me deixar ir.
Eu quero que você perceba,
pois terei cedido a outras vontades
que não as minhas.

Quando eu já estiver distante
e que por alguns instantes
você desejar me ter perto.
Saiba que já terei partido
e da melhor forma possível,
tentando não te deixar
abruptamente.

Quando isso acontecer
talvez já seja tarde
e você não possa fazer nada,
pois terei posto
a prova tudo que criei
e decidido deliberadamente
não valer a pena
desperdiçar tempo
comigo.

Assim encerro essa carta de despedida
da forma que sei
que posso por no papel
Aquilo que me angustia
noite e dia
sem que eu consiga
deixar para trás.

Sara.

Minha Lua.

Sinto me sem ar.
enlaçado, emaranhado
envolto em uma névoa sufocante
que me diz que não vou sair.

Anseios me tomam
e pensamento estranhos
antes alheios
agora constantes
me roubam
a paz.

Seu rosto sempre presente,
sua voz
seu olhar
você

Você parece a teia que me cerca
o ar que me envolve
a noite que chega.
Ao fim do dia minha respiração aumenta
meus pensamentos vagam,
pois sei que muito em breve te verei.

As várias facetas que você me mostra
minguante, crescente e então cheia,
mas sempre nova.
Única.
Eu poderia estender esse verso,
mas prefiro sentar a entrada de uma casa
e fazer o inverso
tocar de leve o seu rosto
e esquecer todo o resto
da noite.

Sara.


Pensamentos noturnos.

Uma angústia tão comum.
um sentimento de vazio
de eterna construção,
mas ao mesmo tempo de desespero.
Se não posso deixar meus genes para a eternidade
para se perpetuarem
o que posso fazer?
Deixar meus pensamentos refletidos,
ponderados, aturdidos.
Deixar palavras que possam
fazer sentido.
Deixar que livres elas componham algo
que possa ser eu,
ou estar relacionado a mim,
ou que apenas me lembre
de alguma forma.
O medo da finitude,
só é superado pelo medo do esquecimento,
de certa forma eles se sobrepõem.
Quando tudo findará?
O que deixo para o mundo
neste momento?
São apenas palavras, mas que sempre
assombram
meus pensamentos noturnos.

Sara.