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Mostrando postagens de Julho, 2016

De longe te observo.

De longe te observo
em sua plena confusão.
As minhas mãos querem te alcançar,
mas elas não podem fazer nada.
Você não permite.

De perto eu me perco
terei de buscar outros espaços
além dos seus braços.

Se almejei o impossível
me perdoe
achei que pisava sobre
um chão firme.

Mas não pude te segurar
caímos
estamos caindo.
Da minha queda te vejo
e desejo te tocar.

O céu é inalcançável
daqui
a raiva me toma
e espero te ferir,
mas logo cedo
e me deixo ferir

De longe te observo sumir
e me preocupo
pois você vai por caminhos
que não desejo seguir.

Eu sonho com o depois
e percebo que de mais longe
te observo.

Sara.













Imagem retirada do http://tiragemunica.blogspot.com.br/2015/08/nossa-escolha-pela-solidao.html

Noite Escura

Durante muito tempo estive dormindo.
Quase toda a viagem.  Mas quando passamos por cima de uma pedra, acordei. Foi naquele instante que olhei para o cocheiro. Ele segurava firmemente as rédeas dos cavalos. Ele usava um sobretudo negro, com um capuz que não permitia ver o seu rosto. Temi aquele rosto. Eu sabia o que era o cocheiro. Era muito mais cômodo continuar no meu lugar. Afinal a viagem prosseguia sem problemas. Porém, alguém na estrada pediu carona.
Passamos reto, mas eu não me contive,
pedi para retornarmos.
Ela nos alcançou,
subiu na carroceria, ali permaneceu.
Seguimos viagem,
sua presença me incomodava.
Talvez fosse curiosidade ou medo.
Pouco a pouco, o cocheiro foi dando mais velocidade ao carro,
os cavalos relinchavam alto,
as rédeas levantavam alto e acertavam o lombo deles.
A angústia foi me tomando,
eu não via motivo para o cocheiro agir daquela forma.
A estrada estava vazia.
Percebi que teria de fazer algo.
Quando ao longe avistei a ponte.
Se fosse uma ponte velha
como…

Ambivalência do Sentir

Ambivalente
que possui dois valores
que oscila
que despermanece
que habita a desconjuntura
o entreespaço
entremundos

Na ambivalência
surge a angústia
É próprio da ambivalência
o desistir
desnortear o caminho

Não é próprio da ambivalência
o resistir.
Eu poderia escolher
definir
ter
das mil e uma certezas
que demonstro
Mas prefiro admitir
que de mim
só resta ambivalência

Das trilhas ambivalentes
que andei trilhando
algumas me fizeram tropeçar
de tal forma
que nem sei
onde esses versos vão dar.

Mas cabe aos sujeitos
a definição
herança eterna
da civilização
categorizar para entender o mundo
sobrou conceito confuso
que define o indefinível
estado de sentir
sentimentos
simultâneos.

Sara.

Vontades de você.

Estou transbordando de vontades
Vontades de você
Quero te apreender em meus braços
Te cercar por todos os lados
Como você me cerca.
Meus olhos te veem
Mesmo você não estando lá
Sinto teu cheiro no toque do vento
E me viro e persigo na fissura por te encontrar
Mas temo não conseguir conter
O oceano de você que represo em mim.
Tenho medo de te afastar
Pois posso ser sufocante
Exagerado, desmedido
Nas minhas ações, palavras
Desejos
Preciso encontrar uma bolsa amarela
Para guardar minhas vontades que engordam só de pensar em você.*
Nem sei se esses versos devo mostrar
Ao ser que desejo encontrar
Nesses instantes em que vivo
Saberá o destino
Se é real o que sinto
Ou apenas um desatino.

Sara.

*"A Bolsa amarela", Lygia Bojunga.

Aguilhão.

Sinto que há um aguilhão
preso ao meu corpo,
me perfurando
me acompanhando
me importunando.
Transpassando carne, ossos, alma.
Uma sensação de peso me toma
e meu reflexo não me mostra
onde ele está.
Um incômodo que perdura
uma ponta que fura
um encontro que dura
Quase toda uma existência
Vez ou outra eu percebo
que quase sempre
eu não chego
a notar sua presença.
Quando logo me concentro
sinto logo sua ausência
e seu peso aparece
como âncora que se prese
me afunda
em mares de reflexão.
Eu conheço a dor que virá
ao tentar retirá-lo
mas reconheço a dor que existe
ao deixar permanecê-lo.
Uma escolha entre dores.
Como dar conta de um aguilhão
que me confronta com crenças,
costumes, funções, lugares de existência.
Saberá o tempo
quando virá o momento
em que chegará o advento
para me resgatar
do objeto que me constitui
e me preenche.

Sara.