Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Outubro, 2016

Tenaz.

Tantos versos que eu guardo
esperando um certo tempo
beirando a cortesia
deixo palavras soltas
perdidas a espera
dos seus olhos.

Talvez a pausa seja tudo que eu preciso
seja tudo que eu mereço
me deixei levar pelo teu apreço
fiz de mim um mar,
um mar de você
Disse me que não era justo
ter perdido tanto
mas guardo comigo seu sorriso pequeno
seu olhar de canto
seu andar 

Se chegar um outro alguém
eu direi não tem ninguém
nem espero que eu mereça
só o que quero
é que reconheça
que de mim sugou
meu mundo.
Fez eu ir até o fundo
e depois nem quis descer
esperou eu mergulhar
para então ali deixar
todas as pegadas na areia.
Veio a onda e as levou
tão azul não puder lidar
foi assim que findou,
um gesto pequeno
em seu olhar.
Mais de mim nada restou,
a não ser estes versos,
tão rimados não ficaram,
esparramados no chão
marcaram
minha solidão.


Sara.

LP – Lost On You

Tantos dias se passaram e você
ainda está aqui.
Mas o céu é negro e a lua é branca,
e não posso te apagar de mim.
Mil desejos me tomam,
mas somente um me imputa dor.
Quando o dia amanhece já enxergo bem,
ainda assim os devaneios do pôr do sol
me tomam e almejo te ver.
Você que nem meus versos lê,
não sabe o quão difícil é te soterrar em mim.
Eu sou mais uma onda no mar
dos amantes deixados.

Sara.






Para Carolina.

Agradeço te por me conectar com minha pobreza.
Seja pobreza espiritual Ou de recursos.
Ler teus diários Foi como reviver ao extremo
A falta que tive na infância
Mas ao contrário de tu
Que se não tinha alimento
Alimentava-se  de palavras
Mas nunca deixou faltar-te para teus filhos
Eu ainda tive a falta dos meus pais.
Curiosamente os livros também preencheram minhas faltas afetivas
Me formaram, me criaram
E me possibilitaram ser tecida em palavras.
Que o sofrimento nos torna criativos
Disso já sabemos, mas
O que tu escreveste era mais do criativo Carolina, era a realidade.
Agradeço-te por ter deixado suas palavras para a posteridade.
Aqui estou meio século depois lendo tuas palavras,
sentindo pelas suas dores e de tanto outros.
Eu já não me encontro em pobreza
Deus me abençoou.
As vezes a sabedoria é precedida por sofrimento.
Ainda que ocultaste de mim
Teus sonhos
Pude me ver em seus olhos e soube
Que tu era mais do que se via.
Tua alma era tecida de palavras
Teu corpo traçado na escuri…

Autorretrato.

Era tarde, nós corríamos, havia uma árvore, muitas folhas caídas ao chão. Era outono. Pique-pega era a brincadeira, éramos três. Eu, Ela e Ele. Eu decidi subir na árvore e de lá os vi, um correndo atrás do outro. Ela com seu vestido branco rodado, sem mangas. Ele com suas bermudas azuis. De lá de cima, fui me entristecendo, talvez eu os amasse demais, mas naquela tarde algo mudaria em mim. Eu vi minha diferença e a reneguei no mesmo instante. Mas quem era eu? Porque eu tinha um corpo como aquele? Porque vê-la sorrir com ele me fazia triste? Porque eu o invejava tanto? Mas eu era criança e só sabia que algo me incomodava. Eu desci da árvore e me sentei, eles não vieram, eu ainda os observava e me perguntava porque eu me sentia tão distante deles, era mais do que diferença, era distância. Aquele anseio me sufocava, os olhares me sufocavam, as reclamações, as brigas, porque as crianças da escola me importunavam? O que eu tinha de errado? Eu não gostava do meu reflexo, na rua eu andava ol…