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Mostrando postagens de Novembro, 2016

Amanhecer Juvenil.

Eis que a tormenta se aproxima.
Já se anunciam os cavaleiros.
Todos de pé para o esplendoroso final.
Será o fim? ou começo da tormenta?
Se anuncia amplamente
o tempo retrocedendo
a roda foi movida,
não resta saída.
Todos de pé,
O dia se aproxima.

Eis que caminhava pela estrada
estudantes secundaristas revoltosos
com um insulto
somando força
mais estudantes a caminho
chegamos a um ponto comum
uma pauta comum,
um mesmo método.
Ocupar e resistir.

Mas eis que não muito longe
o nevoeiro já chega
atravessando os quatro cantos
ele ruge e ameaça
a tudo aquilo que conquistamos,
nessa história não sabemos o final.
Mas uma vez, a força juvenil
saiu as ruas com caras pintadas
espreitando os cavaleiros armados.

Sem máscara no rosto não resta nada a temer
a revolta já está inflada
cabe ao povo mover
as vendas.
Eis que o confronto se aproxima
e não se sabe como estará o clima
da batalha
mas já se enxerga o exército sem farda,
mas que com uniforme marcha.
É mais do que se espera,
não é o que se aguar…

Ventura.

Da simbiose dos nossos pensamentos
daquilo que trago com o vento.
Dos restos de nós
eu me alimento.

Ininterruptamente
eu sinto
e de tanto sentir
eu canso
e então procuro dormir
minha cama é forrada por meus sonhos
e meus sonhos são feitos
da minha realidade.
Há noites em que simplesmente
eu não adormeço
pairo sobre a cama
como poeira levantada em agosto
sinto um corpo que se detém sobre
a cama
e uma alma que vagueia na escuridão.

Já me embriaguei de muitas ilusões,
mas absinto é amargo
e como tudo
me acostumei com o gosto.
Talvez esse seja o perigo,
desejar algo mais entorpecente
a fim de me embebedar de novo.

Eu já conheço o caminho,
então por que continuar seguindo?
Sabe-se lá o que posso encontrar se desviar da trilha,
mas a curiosidade me consome
e reparo nos detalhes
que me cercam.
Eu posso até sobreviver de sobras,
mas a fome de viver é grande
e me faz sair da trilha.

Sara.















Van Gogh- Campo de Trigo com Corvos.

Do Caos a Palavra.

Quando a nossa decadência supera a nossa capacidade de fingir.
É nesse momento que esbarramos em nossos escrúpulos
e nosso egoísmo aflora.
O que você vê é um reflexo distorcido de mim
Um sempre anunciado fracasso.
Somos filhas errantes
tentando desviar-se do caminho dos pais.
Mesmo assim cometendo novos erros
me desmonto como ser humano.
reinventamos a roda
a fim de superar a nós mesmos,
pois não suportamos nos ver animais
que somos.
Mesmo diante do caos
nossos segredos permanecem
como supostos muros que nos protegem.
Haverá tal tempo em que reconheceremos
nossa animalidade?
Talvez eu não alcance tal época,
pois neste tempo procura-se
a quem diminuir, pois a nós
resta a solidão da vida conjunta,
o egoísmo da vida conjunta,
os padrões da vida conjunta,
a ilusão da vida conjunta.
Desses caminhos tortuosos,
que construo com palavras,
não resta nada na vida conjunta.

Sara.
Inspirado no caos em que vivemos e no futuro que não temos.