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Ode aos amigos

Por caminhos tortuosos andei,
mas com suas palavras trilhei,
cada pedaço.
Hoje sei
que a minha força
não vem de mim,
mas daquelas e daqueles que me abraçam.
Sou muito mais porque tenho você.
Não sei se conseguirei agradecer
pelas suas palavras
pelos seus gestos
pelo seu olhar acolhedor
que veio no momento certo
ao meu encontro.
Agradeço pela sua existência
pelo seu abraço
pelo seu aviso.
Não sei discernir
quando percebi
que eu estava bem
porque você estava ali.
A gratidão
é algo que quero cultivar
para que ela cresça
e enalteça
aquelas e aqueles
que quero amar.
A vida costuma me roubar
e quando vejo
já estou em outro lugar,
mas essa memória é boa
e na lembrança
você vai estar.
Pessoas vem e vão,
mas naquele momento você estava lá.
E em nenhum outro eu quis estar.
Desejo que tornemos a nos encontrar,
mas se isso não vier a acontecer
saiba que poderá me ler
nestes versos.
Assim como você me ajudou,
eu também quero ajudar,
assim como me ouviu,
eu também quero te ouvir,
assim como esteve aqui.
eu também quero estar ai
pra ti.
Outro verso que não pode faltar,
Comigo você pode contar!

Sara.

Feliz 2017!
Esse ano alcançamos 30.000 visualizações!
Obrigada a todos!
ps. dedico as amigas e amigos que me acompanharam em 2016.

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Deixa

Deixa vir esse cabelo no rosto
essas lágrimas guardadas
essas palavras não ditas
que te entopem.

Deixa,
Deixa nascer um espaço entre n-ó-s.
para que alguém possa respirar
depois de uma crise de choro.

Deixa,
Deixa o tempo andar devagar
e te olhar
para ver como é que você está se fazendo
se moldando, se construindo.

Deixa,
Deixa o silêncio surgir sorrateiro
trazendo a tona o barulho
que antes estava aqui

Deixa,
Deixa a sua vontade dizer firme que te incomoda o desejo
O desejo de um outro alguém
Deixa
Deixa a gente ganhar espaço,
alçar voos distantes.

Deixa,
Deixa eu pousar um instante
para recuperar o fôlego
Depois do esforço
de tentar te fazer apaixonar...

Deixa,
Deixa o espaço se fazer entre nós
e quando ele tiver se instalado
a gente olha.

Sara.

Soberana.

A gota que ferve na palma da mão.
O abraço apertado dançante.
O beijo, o cheiro
o sorriso gigante.
Quem é você
que chegou nesse instante?

Os olhos castanhos-verdes me fitam
e pedem de mim um apreço.
Eu reluto, mas me entrego
pois permaneço.

O laço que prende
a obrigação que chama
o meio sorriso de canto presente.

Um nós abrupto,
ininterrupto
desconcertante

Houve um atropelamento,
mas estou gostando deste asfalto.
Eu ganhei um beijo no asfalto*

Eu tenho uma mala comigo
Ela é pesada
Nada impede que não a machuque.

Confusão é uma palavra presente.
Desconcerto, cuidado, carinho,
preocupação.
Mas e se?
Se ela voltar?
Se ele voltar?
Você machucará?
Não há respostas prontas
para futuros prováveis.
Mas pode haver?
O que fazer?

Acalma, apressa, aperta o passo.
Ela acalma a minha pressa?*
Ela apressa a minha calma.

Sara.

*Livro: "O Beijo no Asfalto", Nelson Rodrigues.
*Música: "Provável Canção de Amor para Estimada Natália", Banda Mulamba.

Contraponto.

Foi quando um contraponto aconteceu...           Meu andar altivo encontrou seu andar ensimesmado Meu olhar furtivo encontrou seu olhar doce. Minhas longas conversas encontraram suas perguntas profundas e certeiras. Foi quando eu vi a idade da minha alma Ao me deparar com a idade da sua. Foi nas nossas conversas inteligentes que vi os nossos interesses em comum. Foi quando você segurou minha mão, que eu percebi o tamanho do meu passo. Assim que você se mostrou confusa eu vi nascer a certeza da impermanência entre nós. Nós somos um contraponto, Que ora se encontra, ora se distancia. Mas seu sorriso terno E meu olhar amoroso se misturam Quando a gente se olha no começo do dia. Minha alta exposição encontrou seu mistério. Minha mão encontrou seu cabelo E sua boca a minha orelha E foi amor à primeira vista entre eles. Mas também foi onde você não me prometeu a eternidade E eu aceitei a transitoriedade
de nós. Foi quando aconteceu A minha intensidade encontrou o seu breu E se dissipou, s…