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Mostrando postagens de Fevereiro, 2017

Resistindo.

Resisto,
a cada passo na rua.
A cada olhar da janela
a cada palavra maldita
a cada palavra não dita.
Resisto.

Vivo,
enquanto ar ainda me restar,
enquanto eu puder caminhar
Quantas vezes me silenciei
por medo da sua covardia
quantas vezes me anulei
por achar que não devia
ser o que sou.

Resisto enquanto respiro,
a cada golpe do destino
a pobreza e ao desatino
de fingir.
Resisto ao seu medo de mim
medo fundado em preconceitos
medo do meu mundo
medo do que eu sou
medo

Vivo permeado pela resistência,
todo dia vivo minha luta.
Do lugar menos esperado
menos estimado
das vielas
onde escorre o seu expurgo
Dali tiro meu sustento.
Eu vivo e da resistência me alimento.

Chorei quando me impuseram o que eu devia ser,
quando me prenderam no meu ser,
quando me obrigaram a temer.
Choro por todas as manas
que resistiram, mas que não bastou a resistência
lhe tiraram seu mundo
seu ar, seu chão,
delas não se tem número,
não se sabe a luta,
não se conhece o rosto e nem a história.
Eu choro e luto.
Resisto…

Sentidos.

Bonitas criaturas
escondem suas almas pelo avesso
Bonitas criaturas
vivem na cidade onde envelheço.

Saindo das minhas muitas ruínas
Eu sinto o enjoo mesclado ao medo
Saindo de mim eu sinto
que desfaleço.

Em todos os meus horizontes possíveis
existe alguém que caminha ao meu lado
Ando me perguntando se o que o vejo
não é minha sombra projetada sobre o chão que piso.

Das fantasias que crio poucas
expressam meu real desejo,
talvez porque ele não exista,
talvez porque eu não o mereço.

Se eu continuar caminhando
chegarei a algum lugar?
Sabe os versos que eu escrevo?
Tem alguém que nunca os lê.

O mundo parece a sombra de uma lona de circo
projetada no chão.
Eu pareço alguém que olha de fora
pois não pode pagar a entrada.

Se eu descer um pouco mais
poderei me amar um dia?
Mas e se eu me perder?
Quem lembrará do meu sorriso torto?
Sinto que a curva se aproxima novamente,
será que vou derrapar?
será que vou seguir?

Sara.

Âncora

Me agarro às pessoas
como se elas fossem âncoras
que não vão me deixar.
Mas você não é  âncora
é pena que o vento leva
é voz que pelo ar ecoa.

Eu sou âncora
e quis comigo te levar.
Mas não sou força da natureza.
O vento sopra e você se afasta.
Eu não posso te segurar
por mais que eu deseje
Eu quero tanto que você fique.

Basta me deixar por ai
eu tenho um lugar pra ficar
basta você me deixar ir.

Eu preciso disso
eu preciso ir
Você nunca pode ficar
Eu preciso findar esse ciclo
Eu preciso partir.

Daqui um tempo
eu vou olhar para trás
e sentirei a brisa que você deixou ao passar
E não tentarei mais te levar.

Sara.

O Peso dos Sentimentos.

Sabe quando o dia está bonito lá fora,
mas você o sente feio por dentro.
Sabe quando tudo é pesado,
e você pensa que tem que deixar ir,
mas não consegue.

Pareço repetir um mantra
em que digo que a tristeza vai passar,
em que digo que o tempo vai me curar,
mas eu não tenho paciência.

O desafio de deixar ir, desapegar de sentimentos,
parece um cabo de guerra
que de eu tanto puxar
sinto ânsia de cair.

Sabe quando a cama
parece um íma
que suga sua armadura de ferro
e não deixa seu corpo frágil escapar.

Eu sei.
E de tanto saber,
eu me canso.
Então nesses momentos de cansaço sinto raiva.
Uma raiva intensa de mim e do mundo.
Ela faz brotar uma imensidão
de palavras que eu não disse
para não te magoar,
mas que me magoam na lembrança.
Me ferem e me entristecem.
Então os dias bonitos parecem feios,
a cama me vence,
eu permaneço alheio
aos sentimentos que me intoxicam,
pois o meu desejo é de fazer permanecê-los.

Sara.