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Mostrando postagens de Abril, 2017

Mal curado.

A muito que sinto
um incômodo sentimento
que se impregnou
com o tempo
sobre meu peito marcado.

A princípio inofensivo
fui o deixando de lado
sem dar muita atenção
ou cuidado.

Porém como um salto
em água rasa
a dor brotou de repente
e já não havia jeito
que desse fim no que estava feito.

Os sintomas se alastraram
me deixaram de cama
me fizeram escravo
começaram físicos
quando vi
a depressão em mim
já era tarde.

Era amor mal curado
mal amado
mal fechado
agora perdido.

Como todo amor resfriado
basta um chá de novo amor
para se estar curado.
Só que raro
o caminho
é amargo.

Sara.



















Fonte da imagem: http://amor-mal-curado.tumblr.com/

Febre

No auge do desespero
me cobri com o sol.

Era fácil perceber que algo não estava bem
Era nítido em meu rosto
o tormento.

Talvez eu tenha me dado conta tarde demais.
Tudo parece perdido
e meu corpo boia sob o vento
sem poder assentar.

É primitivo o sentimento que me toma
é apego a sobrevivência
é medo
é dor
é desassossego.

Entalhadas sobre meu peito
múltiplas mágoas se espalham
a procura de espaço.
E sem saber o que sentir
acabo beirando a loucura.

Eu sabia que não me curaria,
mas o frio,
o frio era tão intenso
que não exitei em me deitar
e me cobrir com o sol.
Foi naquela tarde que descobri minha loucura.

Sara.




Fonte: https://optclean.com.br/eclipse-anular-do-sol-2017/

Galhos

Era como um sonho
que eu não conseguia distinguir da realidade.
Aquela estrutura imponente
emanava de mim
e eu era incapaz de subir.
Mesmo sabendo da impossibilidade da queda
era insuportável a ideia de escalar e pular dela.
O que me deixava sem chão?
De onde vinha esse medo?

Era como uma nuvem que tocava o chão
e eu não sabia como aquilo era possível,
mesmo estando diante de mim.

Foi como se chovesse ao contrário
a água brotava do chão em pequenas gotas e subia,
mesmo que eu quisesse saber,
 tudo era tão surreal,
que meu desejo de morte sucumbia ante aquela visão.

Foi como dizer adeus e continuar ali presente,
vendo os resultados da despedida emergirem.
Eu contava os minutos para acordar
estava acostumada demais com a realidade tórrida
que me cercava,
mas um desejo não espera por permissão.

Foi da estrutura que surgiram novos caminhos,
eram como galhos de metal
que avançavam pelo ar.
Era mais do que minha imaginação
era um instinto de sobrevivência.
E eu não tive medo de subir,
não d…