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Galhos

Era como um sonho
que eu não conseguia distinguir da realidade.
Aquela estrutura imponente
emanava de mim
e eu era incapaz de subir.
Mesmo sabendo da impossibilidade da queda
era insuportável a ideia de escalar e pular dela.
O que me deixava sem chão?
De onde vinha esse medo?

Era como uma nuvem que tocava o chão
e eu não sabia como aquilo era possível,
mesmo estando diante de mim.

Foi como se chovesse ao contrário
a água brotava do chão em pequenas gotas e subia,
mesmo que eu quisesse saber,
 tudo era tão surreal,
que meu desejo de morte sucumbia ante aquela visão.

Foi como dizer adeus e continuar ali presente,
vendo os resultados da despedida emergirem.
Eu contava os minutos para acordar
estava acostumada demais com a realidade tórrida
que me cercava,
mas um desejo não espera por permissão.

Foi da estrutura que surgiram novos caminhos,
eram como galhos de metal
que avançavam pelo ar.
Era mais do que minha imaginação
era um instinto de sobrevivência.
E eu não tive medo de subir,
não dessa vez.
Ali eu era o centro
o eixo,
o fim.
E ao mesmo tempo um começo,
eu deveria conhecer os caminhos para descansar.
Era a única forma de acordar.
Como eu sabia?
Eu não sabia,
eu sentia.
Eram como coordenadas projetadas no ar,
eu não precisava pensar
era indo e vindo que me sentia inteira.

Sara.


fonte: mercado livre.

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*Música: "Provável Canção de Amor para Estimada Natália", Banda Mulamba.

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