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Mostrando postagens de Junho, 2017

Gota em Tecido.

Foi como se uma gota de tinta vermelho vivo caísse em um pano branco.
A cada gota eu me manchava mais
e o tecido ia se inundando de uma forma
que eu não conseguia conter.
A cada gota que você despejava eu me inundava.
Tão pouco tempo
tão poucas gotas
todo um tecido manchado.
Já me perguntei por que sinto tanto,
por que tão subitamente me afeto por completo
me deixo ser tomada
e quando me percebo já estou inundada.
Posso tecer teorias
tentar me explicar nelas,
mas é difícil mudar
me afetando tanto
me machuco
a intensidade desmedida me acusa
diz que a ingenuidade me habita,
mais além, diz que eu me entrego.
Eu devo fugir?
Eu não quero
eu não nego.
Mas ficar é o que mais faço
e me perder é muito fácil.
Eu não queria jogar mais um tecido fora
porque a tinta não foi o suficiente
eu exijo do mundo
o que ele não pode me dar.
Como fazer parar
minha fábrica de oceanos?

Sara.


















Fonte: http://www.janeblundellart.com/watercolour-triads.html
Indanthrone Blue PB60 (Daniel Smith)






Meios poemas.

Há dias que venho escrevendo
meios poemas,
inacabados,
nesses dias as horas são esparsas
e eu pouco paro para respirar.
Nesses dias escrevo poemas pela metade.
Sei que existe algo para ser escrito,
mas resisto em libertá-lo.
Tenho escrito poemas meio,
meio que não dizem nada,
meio
inacabada escrevo.
Talvez eu precise de inspiração,
aflição
angústia.
Talvez eu precise parar
e deixar meus poemas livres
tenho aprendido a conter
aquilo que nunca contive.
Eu não tenho escrito poemas.

Sara.

Fragmentos.

Eu ando pelo mundo
como forasteiro que sou
a procura de lar.
De andar sereno
e conversas profundas
pareço ter mais idade do que tenho
A cabeça cheia de fantasias
que agora esbarram na realidade.
Percebo ao longe pessoas que amei
e me pergunto se amarei novamente.
Ao fundo me seguem
lembranças que crio
como subterfúgio
porque de fato
elas doem.
Caminho pelo mundo
a espreita
esperando o tempo desinflamar
as feridas do meu corpo.
Pareço reclamar
mas sei que é melhor tergiversar.
Antes recriar do que permitir
um novo ferimento.
Pareço triste
mas estou ausente,
Parei de sentir
já faz um tempo,
essa anestesia
me fez cego
Só me resta tatear.

Sara.












Fonte da Imagem: http://homoliteratus.com/quinta-da-poesia-fragmentos/

Uma Borboleta.

Havia uma borboleta em meu caminho,
eu a seguia.
Suas asas brancas e amarelas
batiam
e ela voa como se eu não estivesse ali
e de fato eu não estava.

Havia uma borboleta em meu caminho,
mas disso só eu sabia.
Ela corria
e não me via.
Vez ou outra pousava
e eu também parava.

Havia um caminho e uma borboleta
mas isso
eu não percebia.

Eu seguia uma borboleta
que ia por um caminho
quando me dei conta já era noite
e eu perdi a borboleta que seguia.

Sara.


fonte da imagem: http://ademirhelenorocha.blogspot.com.br/2014/03/animais-12-borboletas-borboletinhas-e.html

A Reluzente

Não se sabe de onde ela veio.
Era raivosa, falava depressa
Porque seu pensamento era rápido.

Contava histórias
Encantava mundos.
Sabia apontar o detalhe que mudava tudo.

Ela era a personificação da sabedoria,
Mas não acredite se disserem que lhe foi inato o conhecimento.
Buscou por anos e ainda busca conhecer.
Seja os saberes do mundo, seja a si mesma, seja aos outros.
Ela busca.

Tenaz e de cabelos ruivos
Vivaz e de palavras duras
Não compactuava com a opressão.
Sabia reconhecer nas outras a fonte de sabedoria
Era assim que ela conhecia novos mundos.

Tinha lá suas feras 
Ambas ruivas como ela.
Tinha lá seus sonhos
Gigantescos como ela
Sonhos que nunca conhecemos
Pois se doava ao mundo, mas sabia sumir quando necessário.

Houve um dia que decidiu partir, 
Mas não se entristeça ela rumava novos universos.
De repente, aquele universo que ela mais conhecia se apresentou novo em outra forma de escrita.
Sara.