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Alimento.

"Não podia comer tinha um fastio desolador,
cortado por desejos violentos de coisas salgadas"*

Eu tenho alimentado uma criatura,
dessas que não se deve falar,
nem tocar,
chegar perto
Dessas que a gente deve fingir que não existe
para que ela desapareça por completo.

Eu toquei essa criatura
a peguei no colo
me deitei com ela na cama.
Adormeci com ela no pensamento
até que chegou o momento em que percebi
o que eu tinha feito.

Eu alimentei uma criatura.
E sempre que algo é alimentado
ele cresce
e toma proporções que não conseguimos lidar.

Ela não podia ficar
e quando partiu me deixou um vazio desolador.
Fui tocada por uma criatura
e não tenho como retroceder.

Há que se dizer que a culpa é minha
que eu procurei essa criatura que não me contive
em vê-la ali tão perto e tão longe de mim.

Eu ainda alimento essa criatura
mesmo que ela não queira estar aqui.

Sara.
*Julio Ribeiro, A Carne.

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Medo.

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não nasceram na rua.
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E que isso o entristece.
É duro saber que o outro sente medo de você.
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Eu sei que essa pessoa tem uma história,
tem pessoas que a ama,
tem pessoas que a deixaram,
tem pessoas que cuidam dela.

Eu sei que somos de mundos distintos
Mas me nego a aceitar esse medo.
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Encontro do Rio Potengí com o mar - Natal RN
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Saindo de mim eu sinto
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Tem alguém que nunca os lê.

O mundo parece a sombra de uma lona de circo
projetada no chão.
Eu pareço alguém que olha de fora
pois não pode pagar a entrada.

Se eu descer um pouco mais
poderei me amar um dia?
Mas e se eu me perder?
Quem lembrará do meu sorriso torto?
Sinto que a curva se aproxima novamente,
será que vou derrapar?
será que vou seguir?

Sara.