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Mostrando postagens de Agosto, 2017

Da Raiva que Sinto do Mundo.

É tanto barulho ao meu redor
que já não consigo discernir
o que sentir.
Eu posso continuar me enganando
e fingindo que não sinto.
Eu gostaria de estar a vontade
para falar,
mas as pessoas não estão preparadas
para que certas coisas sejam ditas.
Eu sempre quero proteger o mundo
do meu furor.
Há muita raiva reprimida em mim.
Imagine-se em uma densa nuvem cinzenta
e perceba que você não consegue toca-la.
Seu corpo a atravessa, mas ela resiste
e não se desfaz.
Saiba que essa nuvem vem de você,
você a produz.
E não consegue para-la
ela te acompanha.
Esse é o sentimento.
Temos levado uma existência simbiótica
Eu a conheço mais do que deveria.
Ela não é inerente a mim,
somos produtos de uma relação.
Acho que o desfecho da minha nuvem
depende de como quero me relacionar com o mundo.
Eu sou um amontoado de sonhos profundos
Fugindo pelos muros
que crio
com a Raiva que sinto do mundo.

Sara.

Agosto

Ar seco
Vida seca
Lábios secos.

Agosto seco.
Há gosto seco na boca.
Lábios rachados
pernas cinzentas
céu azulado
tempo sedento.

sombra disputada,
vegetação esticada
folhas secas ao chão
Alto crepitar de fogo
queimando mato no cerrado.

sol a tino na janela
logo cedo pela manhã
A noite é fria, o ar rarefeito
Pouca umidade, grandes efeitos.

Porém, é a secura que faz a chuva ser boa e desejável
Que faz a gente sentir cheiro de gente.
Que lembra que somos mais água que gente.
Agosto também tem paina no chão
Poeira de montão
Agosto é único
é passageiro
é memorável.

Sara.

fonte:https://jardinismo.wordpress.com/
Paineira, árvore.
Paina, lã produzida após a frutificação da paineira.