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Sobre Parar

Esse estado assombroso que me toma.
Pareço enebriado
entorpecida
É tanto medo
incerteza
desmazelo
que me deixo levar.

Pedi em uma certa manhã
para me deixarem ir,
mas o segundo me mostrou que
meu lugar é na repetição
linha de produção
colonização
dos afetos

Estranhar é preciso,
mas não importa o que digo
é muito fácil cair na repetição
normatização
da vida.

Estar consciente o tempo todo
me faz duvidar da existência dos meus sentimentos
Lógica dicotômica
não me abandona.

Jogo palavras na tela
como quem semeia a terra,
mas não vejo brotar a planta
nem acompanho o crescimento.
Só vejo semente sempre
que abro meus olhos.

Às vezes procuro parar e observar o mundo
um pássaro que abre as asas
um pequizeiro florindo.
Só pra lembrar que o mundo continua
quando eu paro.

Sara.

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(des)Amor.

Do desamor que habita em mim
ao desamor que habita o mundo

um laço profundo.
Parece onda do Mar
que repuxa
e faz você se sentir frágil, pequeno
incapaz de conter aquela força.
Ora é raiva, ora é medo
ora é dor.
Parece chuva que não molha
abraço que não dura
Parece aço que perfura
a terra
em busca de algo que não é dele.
Aqui
a raiva faz tremer
e o desejo de matar
sentimentos
aniquila a paciência.
Aqui jaz amor
entranhado
machucado
perdido
Entre o amor que habita em mim
e o amor que habita o mundo

um laço profundo
entrecortado
por outros sentimentos
Caóticos
como se recém saídos de Pandora
trôpegos
Fascinados pelos neons da violência
Onde há amor,
Há também desamor
E é dessa tensão
que nasce a Luta.

Sara.

*Dedicado à Marielle Franco.





Deixa

Deixa vir esse cabelo no rosto
essas lágrimas guardadas
essas palavras não ditas
que te entopem.

Deixa,
Deixa nascer um espaço entre n-ó-s.
para que alguém possa respirar
depois de uma crise de choro.

Deixa,
Deixa o tempo andar devagar
e te olhar
para ver como é que você está se fazendo
se moldando, se construindo.

Deixa,
Deixa o silêncio surgir sorrateiro
trazendo a tona o barulho
que antes estava aqui

Deixa,
Deixa a sua vontade dizer firme que te incomoda o desejo
O desejo de um outro alguém
Deixa
Deixa a gente ganhar espaço,
alçar voos distantes.

Deixa,
Deixa eu pousar um instante
para recuperar o fôlego
Depois do esforço
de tentar te fazer apaixonar...

Deixa,
Deixa o espaço se fazer entre nós
e quando ele tiver se instalado
a gente olha.

Sara.

Vazante.

Eu quero fazer uma cartografia desse sentimento.
É um rio vazante que se estende por mim.
É despretensioso,
mas sem tardar seu peso me joga ao chão.
Grandes suspiros me tomam
e eu lamento cair,
mais uma vez,
sobre esse sentimento.

Eu sinto demais
e de tanto sentir
eu canso.

É um tecido remendado que sempre rasga
e eu novamente costuro
porque é o único que tenho
não dá para me livrar desse sentimento.

Caída ao chão eu reflito
chegando às mesmas conclusões
eu minto
de que não permitirei que se repita.

É cruel se ver refém de um rio vazante,
que não se importa com as barragens,
ele sempre rompe.

Dedicada a divagar
eu aceito a velocidade dessa água
eu aceito a violência dessa água
eu aceito a existência dessa água
em uma tentativa tosca de deixa-la correr
de mim.

Sara.