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Mostrando postagens de Setembro, 2017

Revoada

E se foi.
Veio mesmo sem querer
e tinha pouco pra dizer,
mas até que gostou de estar ali.
Perto, tão perto que não sabia
que ela era tão sapiente
quanto um sabiá que pousa
na sua janela e canta sobre sua vida.

Era alguém que sentia o peso do mundo
e tinha um medo profundo
de se abandonar.

Certa vez olhou uma revoada de pássaros
e sentiu vontade de chorar.
Era tão pequena
de coração simples
e palavras complexas.

Ela era tudo que queria,
mas não sabia
que podia se amar.

Era tão benevolente
que sentia o coração ardente
com vontade de ajudar.
Duvidava se naquelas entranhas rígidas
que a vida teimou em lhe dar
não tinha egoísmo, desamor,
dor e vontade de queimar.

Era tantas que já não sentia
que podia se juntar
tinha feito arremesso
de si mesmo sobre o mar.

Ela se foi.
Estava voando
e não sabia voltar.

Sara.


Fonte: https://brisanordestina.wordpress.com/tag/revoadas/

Do alto da minha Contradição.

Como é possível voar e continuar presa?
Essa foi a minha pergunta a
afirmação dela de que eu deveria me acostumar com meu voo.

Certas ambiguidades que eu convivo
me fazem sentir solidão.
Ora estou em dois mundos que se odeiam,
mas eu sou o denominador comum.

Vez ou outra sinto vontade de desistir
há sempre um representante de cada mundo
a me cobrar a escolha.

Eu não escolhi estar nessa cruzada
assim como outros
somos adeptos da fé de que o mundo é complexo.

Seria doloroso ter que escolher me anular em um dos mundos.
às vezes parece que esse será meu destino.

Não é pelo fato de eu ser uma contradição
que signifique que eu não sou humano.
Essa é a minha maior prova.

Sabedorias ancestrais me dizem
que a vida não reserva mares calmos e brisa leve
na minha vida.
Eu já vivi um furacão,
sei como aprender a resistir.

Sara.

Funduras.

Não posso me render a esse desejo descabido. Tantas vezes roubado de mim, Tantas vezes levado a embalar meu próprio sono. Vou me desfazendo pouco a pouco E dando lugar a minha imensa obsessão Um falso vazio se instala Um desejo ardente arrasa minhas chances de viver só. Processo automatizado, Engendrado no meu corpo A fuga tão alcançável O medo de pisar em falso. Mas eu já pisei. Pisar em falso é o que mais faço E para fingir que não há espaço Eu preencho de sonho Todas as funduras que me cercam. Mas elas estão em mim. Eu tenho funduras que não são preenchíveis. Mas insisto em enfiar sonhos como se fosse máquina desejante. Desejante de sonhos. É difícil perceber que meus vazios não podem ser preenchidos É difícil aceitar. É mais fácil se iludir E fingir Que posso lidar com as funduras do meu olhar.

Sara. Fonte: https://fotos.habitissimo.com.br/foto/fundura-11-metros_1043273