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Mostrando postagens de Janeiro, 2018

O Tempo Virá.

O tempo virá
e vai me dizer
não vou aguentar
pois posso ceder.

Não devo apenas
sobreviver.

O tempo virá
e vai me dizer
não vou aguentar
pois posso errar.

Eu devo e posso
viver.

O tempo virá
e vai me dizer
não vou aguentar
não posso suportar.

O tempo virá
e vai me dizer
que posso errar
ele vai me olhar.

O tempo virá
e vai me dizer
posso suportar
ele vai me acolher.

O tempo virá.

Sara.

Escarlate.

Estou sempre me entregando,
a vivacidade habita em mim.
Ainda assim a recusa é sempre a primeira opção.
Como sobreviverá esse coração escarlate?
Ele se deitaria a noite
mas ao amanhecer do dia
ninguém assumiria
aquela cor viva.
Toda a responsabilidade desse sentimento
que é minha.
Toda a vivacidade desse sentimento
que é minha.
Toda a entrega e desejo
que é minha.
Como viverá esse coração escarlate?
Fadado a grandes pesos
excessos
entorpecido pelas palavras
fabricante de poemas
O que restará desse coração escarlate?
Todos os sentimentos
que o abatem,
Todo o envolvimento interrompido
perdido
usado
pausado no tempo,
pois em breves momentos outro desejo é forjado.
O que será desse coração escarlate?

Sara.

Safra

Ando sonhando com você entrando por aquela porta,
me pedindo pra ficar em seu abraço dançante, mas então eu acordo e percebo mundos tão distantes com caminhos paralelos, mas intransponíveis. Há muita terra para se arar as sementes precisam ser jogadas ao chão o cal e o adubo Por que já estou sonhando com o fruto? Há muita chuva ainda por cair e 60 dias de sol. Há ainda muita terra pra se arar, mas o tempo foi sensato nos deu o momento certo e nós aproveitamos bem preenchendo cada lacuna daquelas almas rachadas. De repente um sentimento visceral me toma então suspiro Mas eu sei e sinto que estamos na terra certa. Independente da safra uma ou outra, ambas serão boas Porque aqui, aqui a terra é profunda e há espaço para raiz independente da semente que for jogada.
Sara.

Meu Sal.

Eu sinto um gosto de sal na boca.
Um gosto sempre presente
que me lembra dos ares que já entraram
por essa boca.
Eu sempre busquei uma salvação
idealizava um sentimento profundo
uma conexão
que me libertaria,
mas ela nunca chegou.
Eu uso o sabor doce da vida
para combater o gosto de sal
que trago na boca.
Esse combate está fadado ao fracasso.
Eu tenho uma necessidade de permanência
que criei na tentativa de suprir a falta,
mas foi um erro
que agora me machuca.
Eu tenho um desentendimento profundo
com a minha existência
e questiono meu passado
o acuso
de me fazer feridas intangíveis.
Eu sou minha salvação.
Eu preciso aceitar o sal na minha boca
para que o doce seja seu complemento
e não seu inimigo.
Eu preciso aceitar minha história
para deixar ir
todos os sentimentos
que me amarram ao chão.
Eu consigo ver o caminho.

Sara.