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Mostrando postagens de Março, 2018

(des)Amor.

Do desamor que habita em mim
ao desamor que habita o mundo

um laço profundo.
Parece onda do Mar
que repuxa
e faz você se sentir frágil, pequeno
incapaz de conter aquela força.
Ora é raiva, ora é medo
ora é dor.
Parece chuva que não molha
abraço que não dura
Parece aço que perfura
a terra
em busca de algo que não é dele.
Aqui
a raiva faz tremer
e o desejo de matar
sentimentos
aniquila a paciência.
Aqui jaz amor
entranhado
machucado
perdido
Entre o amor que habita em mim
e o amor que habita o mundo

um laço profundo
entrecortado
por outros sentimentos
Caóticos
como se recém saídos de Pandora
trôpegos
Fascinados pelos neons da violência
Onde há amor,
Há também desamor
E é dessa tensão
que nasce a Luta.

Sara.

*Dedicado à Marielle Franco.





Da Escadaria da Minha Vida.

Ela era uma pessoa jovem em uma carcaça velha.
Seu corpo era um antigo prédio.
Com longas escadas e paredes brancas.
Era possível ler coisas escritas em vermelho nas paredes.
Eram mensagens curtas que se apagavam
após serem lidas.
Um dia ela decidiu percorrer esse prédio.
Era frio, mas um frio diferente
era fresco dentro do prédio.
Quanto mais ela subia
mais sabia
que não estava perto de chegar em lugar nenhum.
Ela não tinha fim,
mas não sentia medo de continuar.
Às vezes sentia angústia com o que lia nas paredes,
às vezes tristeza
em alguns momentos alegria
e em outros contentamento pelos fatos vividos.
Ficava visível que nessa caminhada ela precisava de paciência.
Muitas frases nas paredes eram afirmações certeiras
de futuros prováveis
Ela sempre pensava demais.
O prédio não era escuro,
mas ela não sabia de onde vinha a luz.
Em certos andares, ela parecia estar nos corredores de uma grande casa,
mas logo outra escada aparecia
e a conduzia para lugares remotos de si mesma.
Ela sentia…