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Quando era Criança...

  Quando era criança, pensava como criança, sorria como criança, amava como criança; agora que sou moça
eu sorrio das minhas coisas de criança.
  Quando era  criança pensava como os antigos que achavam que a terra era quadrada e que se andassem demais cairiam no abismo do espaço. Não é isso que você está pensando, eu sabia que a terra era redonda, mas achava que se algum dia eu saísse dela e caísse  no espaço; eu entraria em uma queda infinita, eu veria a terra virar um pontinho; em menos de um minuto eu estaria caindo,caindo e caindo... até que topasse com algum planeta e morresse lá.
  Tinha muito medo disso; e também de engolir caroço de laranja, porque eu achava que nasceria uma laranjeira dentro de mim...
  Quando era criança não gostava de bonecas e queria soltar pipa, mas Mamãe dizia que era brincadeira de menino e com o tempo acabei acreditando, mesmo assim nunca deixei de soltar escondida.
  Quando era criança gostava das músicas antigas do meu Pai; e queria que algum dia eu quebrasse o braço
só pra ficar com ele engessado e todo mundo assinar o nome nele.
  Quando era criança gostava muito do meu cachorro até que ele morreu...ai comecei a gostar de gatos porque eles tinham sete vidas.
  Quando era criança amava viajar com meus avós, porque dormíamos debaixo de lonas, pescávamos á noite, ouvíamos histórias; e eu aprendia sobre plantas com nomes estranhos e peixes de todos os tipos com minha avó Maria.
Quando era criança, era criança e nada desse mundo eu entendia.
Quando era criança, era criança e o mundo, lugar divertido parecia.

Sara.

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*Música: "Provável Canção de Amor para Estimada Natália", Banda Mulamba.

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Foi quando um contraponto aconteceu...           Meu andar altivo encontrou seu andar ensimesmado Meu olhar furtivo encontrou seu olhar doce. Minhas longas conversas encontraram suas perguntas profundas e certeiras. Foi quando eu vi a idade da minha alma Ao me deparar com a idade da sua. Foi nas nossas conversas inteligentes que vi os nossos interesses em comum. Foi quando você segurou minha mão, que eu percebi o tamanho do meu passo. Assim que você se mostrou confusa eu vi nascer a certeza da impermanência entre nós. Nós somos um contraponto, Que ora se encontra, ora se distancia. Mas seu sorriso terno E meu olhar amoroso se misturam Quando a gente se olha no começo do dia. Minha alta exposição encontrou seu mistério. Minha mão encontrou seu cabelo E sua boca a minha orelha E foi amor à primeira vista entre eles. Mas também foi onde você não me prometeu a eternidade E eu aceitei a transitoriedade
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