Pular para o conteúdo principal

Um Olhar...

Eu me encontrava perdido
em um emaranhado de dores.
Aquele olhar cativante,
focado, tão presente quanto distante.
Me deixou preso.
Por quê me olhava daquela maneira?
Não fazia sentido a sua cortesia.
Mas agora seu olhar não sai dos meus sonhos.
Me pergunto se também estou em seus sonhos.
Talvez não, somente incertezas me cercam.
Seu olhar negro me persegue em sonhos.
Um encontro,
por algumas horas,
quis estar ao seu lado,
mas o acaso brinca com os sentimentos das pessoas.
Não se deve confiar no acaso,
ele nos ilude com olhares que nos tragam sem que possamos perceber.
Olhares são como lágrimas que caem
nas mãos de quem chora
e se desfazem tão depressa
que não se pode guardá-las
como lembrança para que não choremos mais.
Olhares não se prendem,
eles te perseguem, porque você criou uma lembrança que aprisionou seu espectro,
mas jamais conseguiremos capturá-los
por mais belos que eles sejam,
por mais fácil que seja conseguir encontrá-los.
Às vezes o acaso quer nos fazer acreditar que pegamos um olhar,
mas na maioria das vezes foi ele que nos capturou,
presos permanecemos até que o tempo
sugue sua forma e não mais nos encantemos com aquele olhar.


Sara.

Desenho por Carlos O.
Retirado do blog: desenhosrealisticos.arteblog.com.br

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Deixa

Deixa vir esse cabelo no rosto
essas lágrimas guardadas
essas palavras não ditas
que te entopem.

Deixa,
Deixa nascer um espaço entre n-ó-s.
para que alguém possa respirar
depois de uma crise de choro.

Deixa,
Deixa o tempo andar devagar
e te olhar
para ver como é que você está se fazendo
se moldando, se construindo.

Deixa,
Deixa o silêncio surgir sorrateiro
trazendo a tona o barulho
que antes estava aqui

Deixa,
Deixa a sua vontade dizer firme que te incomoda o desejo
O desejo de um outro alguém
Deixa
Deixa a gente ganhar espaço,
alçar voos distantes.

Deixa,
Deixa eu pousar um instante
para recuperar o fôlego
Depois do esforço
de tentar te fazer apaixonar...

Deixa,
Deixa o espaço se fazer entre nós
e quando ele tiver se instalado
a gente olha.

Sara.

Soberana.

A gota que ferve na palma da mão.
O abraço apertado dançante.
O beijo, o cheiro
o sorriso gigante.
Quem é você
que chegou nesse instante?

Os olhos castanhos-verdes me fitam
e pedem de mim um apreço.
Eu reluto, mas me entrego
pois permaneço.

O laço que prende
a obrigação que chama
o meio sorriso de canto presente.

Um nós abrupto,
ininterrupto
desconcertante

Houve um atropelamento,
mas estou gostando deste asfalto.
Eu ganhei um beijo no asfalto*

Eu tenho uma mala comigo
Ela é pesada
Nada impede que não a machuque.

Confusão é uma palavra presente.
Desconcerto, cuidado, carinho,
preocupação.
Mas e se?
Se ela voltar?
Se ele voltar?
Você machucará?
Não há respostas prontas
para futuros prováveis.
Mas pode haver?
O que fazer?

Acalma, apressa, aperta o passo.
Ela acalma a minha pressa?*
Ela apressa a minha calma.

Sara.

*Livro: "O Beijo no Asfalto", Nelson Rodrigues.
*Música: "Provável Canção de Amor para Estimada Natália", Banda Mulamba.

Contraponto.

Foi quando um contraponto aconteceu...           Meu andar altivo encontrou seu andar ensimesmado Meu olhar furtivo encontrou seu olhar doce. Minhas longas conversas encontraram suas perguntas profundas e certeiras. Foi quando eu vi a idade da minha alma Ao me deparar com a idade da sua. Foi nas nossas conversas inteligentes que vi os nossos interesses em comum. Foi quando você segurou minha mão, que eu percebi o tamanho do meu passo. Assim que você se mostrou confusa eu vi nascer a certeza da impermanência entre nós. Nós somos um contraponto, Que ora se encontra, ora se distancia. Mas seu sorriso terno E meu olhar amoroso se misturam Quando a gente se olha no começo do dia. Minha alta exposição encontrou seu mistério. Minha mão encontrou seu cabelo E sua boca a minha orelha E foi amor à primeira vista entre eles. Mas também foi onde você não me prometeu a eternidade E eu aceitei a transitoriedade
de nós. Foi quando aconteceu A minha intensidade encontrou o seu breu E se dissipou, s…