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Onde estará você agora?




Foi preciso chegar ao fim do caminho
para perceber que havia uma curva
e que era lícito seguir adiante
para além mar.

Fui descendo as escadarias
e percebendo o quão
ingrime são os meus sentimentos,
abissais

Sombras que me cercam
dizem de mim
meus medos
meus sonhos
minhas caminhadas solitárias
dizem mais do que minha fala.

Pisando em trilhos velhos
restos de uma antiga estrada
percebi o quão velho eu sou
Se as raízes avançam pelo ferro
as cicatrizes crescem sobre o meu peito
Enervando-se sobre mim

Sou tão teu quanto um pássaro que pousa na janela,
mas o inverso é mais válido
descobri que você pousou no meu umbral
porque chovia lá fora
mas teu lugar
está além daqui

Sara.


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Deixa

Deixa vir esse cabelo no rosto
essas lágrimas guardadas
essas palavras não ditas
que te entopem.

Deixa,
Deixa nascer um espaço entre n-ó-s.
para que alguém possa respirar
depois de uma crise de choro.

Deixa,
Deixa o tempo andar devagar
e te olhar
para ver como é que você está se fazendo
se moldando, se construindo.

Deixa,
Deixa o silêncio surgir sorrateiro
trazendo a tona o barulho
que antes estava aqui

Deixa,
Deixa a sua vontade dizer firme que te incomoda o desejo
O desejo de um outro alguém
Deixa
Deixa a gente ganhar espaço,
alçar voos distantes.

Deixa,
Deixa eu pousar um instante
para recuperar o fôlego
Depois do esforço
de tentar te fazer apaixonar...

Deixa,
Deixa o espaço se fazer entre nós
e quando ele tiver se instalado
a gente olha.

Sara.

Soberana.

A gota que ferve na palma da mão.
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pois permaneço.

O laço que prende
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Um nós abrupto,
ininterrupto
desconcertante

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mas estou gostando deste asfalto.
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Nada impede que não a machuque.

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para futuros prováveis.
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Ela acalma a minha pressa?*
Ela apressa a minha calma.

Sara.

*Livro: "O Beijo no Asfalto", Nelson Rodrigues.
*Música: "Provável Canção de Amor para Estimada Natália", Banda Mulamba.

Contraponto.

Foi quando um contraponto aconteceu...           Meu andar altivo encontrou seu andar ensimesmado Meu olhar furtivo encontrou seu olhar doce. Minhas longas conversas encontraram suas perguntas profundas e certeiras. Foi quando eu vi a idade da minha alma Ao me deparar com a idade da sua. Foi nas nossas conversas inteligentes que vi os nossos interesses em comum. Foi quando você segurou minha mão, que eu percebi o tamanho do meu passo. Assim que você se mostrou confusa eu vi nascer a certeza da impermanência entre nós. Nós somos um contraponto, Que ora se encontra, ora se distancia. Mas seu sorriso terno E meu olhar amoroso se misturam Quando a gente se olha no começo do dia. Minha alta exposição encontrou seu mistério. Minha mão encontrou seu cabelo E sua boca a minha orelha E foi amor à primeira vista entre eles. Mas também foi onde você não me prometeu a eternidade E eu aceitei a transitoriedade
de nós. Foi quando aconteceu A minha intensidade encontrou o seu breu E se dissipou, s…