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Tempo.

É tudo sobre você e eu.
Um ponto meu de tranquilidade.
Um sorriso de completas verdades
Pessoas marcadas
Encontros traçados
por redes invisíveis.
Nós parecemos uma nuvem suspensa da realidade.
Será que é real?
Você me pergunta.
Não importa.
Eu te respondo.
A realidade é construída
através de perspectivas.
Elas se somam
formam um mosaico
O qual chamamos realidade.
Nós somos reais,
pois somos um pedaço
de algo que se constrói
dia a dia, lado a lado*
À incerteza da vida
nós preenchemos com planos.
Você é um caminho sereno,
que eu gostaria de percorrer.
Mas não depende de mim
não depende de você,
escolher.
Mas àquele que a tudo governa
o instrumento do todo,
construtor de realidades
Que por nós é nomeado
Tempo.

Sara.

* Música "Dia a dia, Lado a Lado" - Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci. Imagem: Jardins, Instituto Central de Ciências, Universidade de Brasília.
Postagens recentes

Soberana.

A gota que ferve na palma da mão.
O abraço apertado dançante.
O beijo, o cheiro
o sorriso gigante.
Quem é você
que chegou nesse instante?

Os olhos castanhos-verdes me fitam
e pedem de mim um apreço.
Eu reluto, mas me entrego
pois permaneço.

O laço que prende
a obrigação que chama
o meio sorriso de canto presente.

Um nós abrupto,
ininterrupto
desconcertante

Houve um atropelamento,
mas estou gostando deste asfalto.
Eu ganhei um beijo no asfalto*

Eu tenho uma mala comigo
Ela é pesada
Nada impede que não a machuque.

Confusão é uma palavra presente.
Desconcerto, cuidado, carinho,
preocupação.
Mas e se?
Se ela voltar?
Se ele voltar?
Você machucará?
Não há respostas prontas
para futuros prováveis.
Mas pode haver?
O que fazer?

Acalma, apressa, aperta o passo.
Ela acalma a minha pressa?*
Ela apressa a minha calma.

Sara.

*Livro: "O Beijo no Asfalto", Nelson Rodrigues.
*Música: "Provável Canção de Amor para Estimada Natália", Banda Mulamba.

Como seguir um olhar?

Eu não consigo esquecer um olhar e um desejo ambivalente surge em meu peito.
Aquele toque despretensioso que me fazia rir Aquele abraço caloroso que me fazia querer ficar.
A intimidade naquele olhar naquele cuidar me fez ficar.
Eu não consigo traduzir um olhar. Porque eu sei que todo o meu mundo recai sobre ele e então eu não consigo entendê-lo.
Eu não sei o que você quer, mas quero te seguir.
Sara.

Deixa

Deixa vir esse cabelo no rosto
essas lágrimas guardadas
essas palavras não ditas
que te entopem.

Deixa,
Deixa nascer um espaço entre n-ó-s.
para que alguém possa respirar
depois de uma crise de choro.

Deixa,
Deixa o tempo andar devagar
e te olhar
para ver como é que você está se fazendo
se moldando, se construindo.

Deixa,
Deixa o silêncio surgir sorrateiro
trazendo a tona o barulho
que antes estava aqui

Deixa,
Deixa a sua vontade dizer firme que te incomoda o desejo
O desejo de um outro alguém
Deixa
Deixa a gente ganhar espaço,
alçar voos distantes.

Deixa,
Deixa eu pousar um instante
para recuperar o fôlego
Depois do esforço
de tentar te fazer apaixonar...

Deixa,
Deixa o espaço se fazer entre nós
e quando ele tiver se instalado
a gente olha.

Sara.

Rubel - Quando Bate Aquela Saudade

Quando Bate Aquela Saudade
Rubel


É você que tem
Os olhos tão gigantes
E a boca tão gostosa
Eu não vou aguentar

Senta aqui do lado
E tira logo a roupa
Esquece o que não importa
Nem vamos conversar

Olha bem mulher
Eu vou te ser sincero
Quero te ver de branco
Quero te ver no altar

Não tem medo não
Eu sei vai dar errado
A gente fica longe
E volta a namorar depois

Olha bem mulher
Eu vou te ser sincero
Eu to com uma vontade danada
De te entregar todos beijos que eu não te dei
E eu to com uma saudade apertada
De ir dormir bem cansado
E de acordar do teu lado pra te dizer
Que eu te amo
Que eu te amo demais

Olha bem, mulher
Eu vou te ser sincero
Quero te ver de branco
Quero te ver no altar

Não tem medo, não
A gente fica longe
A gente até se esconde
E volta a namorar depois

Que é você que tem
Os olhos tão gigantes
E a boca tão gostosa
Eu não vou aguentar

Olha bem, mulher
Eu vou te ser sincero
Eu tô com uma vontade danada
De te entregar todos beijos que eu não te dei
E eu tô com uma saudade ape…

Contraponto.

Foi quando um contraponto aconteceu...           Meu andar altivo encontrou seu andar ensimesmado Meu olhar furtivo encontrou seu olhar doce. Minhas longas conversas encontraram suas perguntas profundas e certeiras. Foi quando eu vi a idade da minha alma Ao me deparar com a idade da sua. Foi nas nossas conversas inteligentes que vi os nossos interesses em comum. Foi quando você segurou minha mão, que eu percebi o tamanho do meu passo. Assim que você se mostrou confusa eu vi nascer a certeza da impermanência entre nós. Nós somos um contraponto, Que ora se encontra, ora se distancia. Mas seu sorriso terno E meu olhar amoroso se misturam Quando a gente se olha no começo do dia. Minha alta exposição encontrou seu mistério. Minha mão encontrou seu cabelo E sua boca a minha orelha E foi amor à primeira vista entre eles. Mas também foi onde você não me prometeu a eternidade E eu aceitei a transitoriedade
de nós. Foi quando aconteceu A minha intensidade encontrou o seu breu E se dissipou, s…

Sobre a Permanência.

Nós somos ausências complementares
Estamos no mundo buscando a permanência
As incertezas da realidade nos fazem crer que precisamos permanecer
Eu já quis entender por que fico.
Por que insisto em marcar os lugares que passo.
Eu sou um presente constantemente ausente.
Muitos se escondem nos meus braços
porque desconhecem os mares em que me afundo.
Se soubessem, o que fariam?
Me faço porto seguro
alma constante
abraço longo e estável
Sabem os céus as dores do meu peito.
Sabem também como posso ser desfeito
Eles não dão trégua
sempre me lembrando
o lugar em que estou
e para onde vou.
O destino me prega um olhar profundo
com uma calma certeira
que busca a (minha?) permanência
Eu sou uma presença constantemente ausente.


Sara.