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Palavras da Minha Alma.

Eu não tenho nada
E não sou nada
Só tenho a mim e as minhas palavras
Será que basta?
Para quem?
Para quem eu quero bastar?
Sei que em mim há vazios profundos
Que desconheço
E vivo percorrendo outros vazios
Para evitar os meus.
Também sei que já não me basta o destino
E a determinação
Há em mim precisas contradições
Que dão limite ao que esperam de mim
Sempre respondi ao esperar de outros
E tem alguém que eu nunca consigo responder
Esse alguém sou eu
Eu que percorro caminhos alinhados em buscar de alinhar um caminho
Para mim
Eu que desfruto das mais prazerosas companhias
Que sempre julgam com a lente do aqui e agora viver o mesmo
Sem saberem dos caminhos tortuosos que me perpassam...
Haverá espaço para deixar ir esse sentimento de abandono
Que sempre me toma
Nas horas mais calmas da minha vida
Eu que sempre penso estar refugiada dos meus pesadelos
Me deparo com bombardeios internos de desesperanças.
Sabem os céus o que vive em minha alma
Alma despida de ornamento
Caracterizada de confu…
Postagens recentes

Daquilo que aqui está.

Eu não sei como começou
Mas de repente estava ali
E não tinha como ignora-lo.

Eu admito que não fugi
Era empolgante demais aquela sensação
E não resisti ao me aproximar
Eu conhecia os riscos

É difícil comunicar o que sentimos
Nem sempre há palavras
Que consigam descrever.
Eu somente sei
Que aquele olhar me diz muito
Muito mais do que consigo escrever.

A ansiedade do devir talvez seja o que tempera
A cada movimento inesperado
Tudo parece que pode mudar...
E pode mesmo.
Basta a gente querer
E é o querer que muda o mundo
Querer um outro
Querer um outro mundo
Querer
ou desejar
Desejar principia eventos
Na maioria das vezes
Eventos que não sabemos lidar...

Eu não precisei dizer
Estava ali
No meu olhar
E eu não tinha como ignorá-lo.

Sara.

Recusa.

O que dizer do amor calado
grudado no peito
reprimido
Quando esse amor sairá do não dito
Por que foi impedido de ser expressado?
Por que esse amor é amaldiçoado?
Eu sei que sou uma costura de amores
e também sei que você me relegou ao esquecimento
como se pudesse me apagar da sua existência
Para mim permanece o mistério
desse esquecimento
Porque quando você não me olha
eu sei que você está me vendo.
E quando não me diz nada
eu sei que está pensando
porque quanto mais você se esforça
pra me colocar no esquecimento
mais relevo eu ganho e apareço.
Não que eu deseje esse aparecimento
também luto pra te deixar no esquecimento
mas você é uma questão não resolvida
porque se recusa
mesmo que eu queira.
E é nessa recusa
que a gente ainda permanece ligado.

Sara.

Rios Voadores

Tem algo que eu preciso dizer
daquelas coisas que me fazem humana
daquele olhar perdido e imerso
em sonhos criados
Das sensações que eu não quero assumir
dos desejos que estão aí
a me perseguir
habitar
entupir
Será medo clássico de mergulho no mar?
No mar que são os outros
ou no eu que tem medo de águas profundas.
Espero a noite acabar
pra deixar de sentir
ou tentar dissuadir
meus pensamentos.
Eu sei que uma brisa está passando
e quero me encher dela
senti-la em toda a minha pele
Quero que ela faça parte de mim
porque o vento é minha casa
e mesmo que eu não tenha asas
voo longe para encontra-la
Respiro fundo pra não me afogar
me seguro um pouco
pra não tropeçar
tem umas pedras no caminho
Elas me fazem querer parar
somente por estarem ali
ou seria eu quem não deveria estar
no caminho?

Sara.

Loucura.

A loucura do mundo nos enlouquece.
E perdemos a razão da existência.
Não é somente o vazio, nem a incompletude
é o transbordamento de ar tóxico
o sufocamento
que adoece.

Tanto peso, por tanto tempo
em uma só pessoa
A loucura não é limite
É estado paralelo da alma
que começa quando a gente começa,
mas nunca termina
porque ela é escape
do sentimento de morte eminente.

A loucura é traça que perdura
roendo as entranhas
e deixando correr
às máximas que adoeceram
que formataram todo um universo interior desgastado.

Nos buracos da loucura cabem medos
anseios e tristezas
Cabem também estes versos
que fiz sobre uma mesa
onde deixei correr pelos cantos
minha  loucura e indecisão sobre o mundo.

Sara

Da Pequena Aflição que Sinto.

Há em mim uma pequena aflição
que brota pontiaguda
perfurando minhas bases supostamente sólidas
Parece anseio descabido,
desejo de certezas
aflição de fome
fome de respostas.

Não quero nomear
porque já conheço o processo
não quero atropelo
tenho remendos
que por muito pouco ainda se sustentam.

Mas como não temer?
Como deixar a fluidez me tomar?
Sem que meu máximo desejo de controle
capture o que quer que esteja vindo.
Ou pior
meu máximo descontrole passional
descarrilhe minhas ações, pensamentos e
emoções...

Eu preciso me deixar ir
e almejar a calmaria
abaixar a guarda
assumir os riscos
mas não me perder do trilho
Eu não sou essa dicotomia que pinto
mas insisto
em me descrever assim.
Será que eu conheço o que há em mim?

Sara.

À Revelia.

Olho para esse lugar
tenho tanta gratidão
um lugar não sonhado
não idealizado
porque para mim nem era direito

Olho para este lugar
hoje conquistado
pela cota que não foi negada
Onde por muitas salas
correm sonhos
hoje sólidos
possíveis de serem sonhados

Olho para esse lugar
e sinto a dor
de um espaço desarranjado
por interesses monetários

À revelia a universidade
se torna universo
de muitos e muitas
daquelas que lutam
que gritam
a Periferia está aqui!

Mas não nos querem aqui
o nosso grito incomoda
a nossa cor incomoda
quando o povo muito sabe incomoda

A gente mal chegou
já querem que gente vá embora
Mas a gente fica
resiste
enfrenta
Por que gente como a gente
sobrevive todo dia
é na correria
Vocês não sabem os lugares
que vamos ocupar.

Sara.