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Da Pequena Aflição que Sinto.

Há em mim uma pequena aflição
que brota pontiaguda
perfurando minhas bases supostamente sólidas
Parece anseio descabido,
desejo de certezas
aflição de fome
fome de respostas.

Não quero nomear
porque já conheço o processo
não quero atropelo
tenho remendos
que por muito pouco ainda se sustentam.

Mas como não temer?
Como deixar a fluidez me tomar?
Sem que meu máximo desejo de controle
capture o que quer que esteja vindo.
Ou pior
meu máximo descontrole passional
descarrilhe minhas ações, pensamentos e
emoções...

Eu preciso me deixar ir
e almejar a calmaria
abaixar a guarda
assumir os riscos
mas não me perder do trilho
Eu não sou essa dicotomia que pinto
mas insisto
em me descrever assim.
Será que eu conheço o que há em mim?

Sara.

Postagens recentes

À Revelia.

Olho para esse lugar
tenho tanta gratidão
um lugar não sonhado
não idealizado
porque para mim nem era direito

Olho para este lugar
hoje conquistado
pela cota que não foi negada
Onde por muitas salas
correm sonhos
hoje sólidos
possíveis de serem sonhados

Olho para esse lugar
e sinto a dor
de um espaço desarranjado
por interesses monetários

À revelia a universidade
se torna universo
de muitos e muitas
daquelas que lutam
que gritam
a Periferia está aqui!

Mas não nos querem aqui
o nosso grito incomoda
a nossa cor incomoda
quando o povo muito sabe incomoda

A gente mal chegou
já querem que gente vá embora
Mas a gente fica
resiste
enfrenta
Por que gente como a gente
sobrevive todo dia
é na correria
Vocês não sabem os lugares
que vamos ocupar.

Sara.

Retorno.

Retorno à solidão
Dessa parada vazia
a espera da noite
do caminhar sozinha.

Retorno do medo
e da ousadia
Retorno calada,
mas queria
não ter tantos nós
no peito.

Retorno a espera
a encarar minhas falhas
cansaço
É tanta falha que esse corpo
não quer resistir

Não tenho sustentado olhares
Retorno ao desejo de desaparecer
O olhar do outro é minha clausura.

Retorno à mansidão
à calmaria
Que é toda minha.

Sara.

Inquirição.

Mas é porque o meu sentir é grande...
e eu não o aceito.
Retruco
Resmungo
choro de raiva dele
E dou um grito pra dentro
pois fora
tem gente demais que não consegue ouvir
Meu corpo é chão,
é pedra, é mato
porque eu deixo ser.
Queria ter quietude
no aqui e agora
porque a maré forte
me arrasta
Arrasta tanto que diz
que eu não valho nada
Ouço muito meu desejo
ele diz
Queria que ela fosse meu sossego...
Mas ela não é.
Ela é meu sentimento perdido
minha repetição
meu enclausuramento
meu loop a-moroso
na mesma linha do tempo.
Estou me perdendo para o vento
pois eu não quero deixar ir meus sentimentos.

Sara.
Inquirição. Ato de questionar uma testemunha sobre circunstâncias de um fato que ela tenha conhecimento.

Cansar, Calar e Caminhar.

Todo dia as pessoas lutam batalhas
Escrevem as suas histórias
em linhas tortas
Esperam
Cansam
Caminham
Às vezes tentando provar para alguém
um sentimento
Às vezes tentando dar conta da sua dor
provocada pela dor do outro
Às vezes tentando dar ao mundo uma parte de si
na esperança que o mundo reconheça
que você existe.
Às vezes tentando resistir a vontade de desistir
No meio do Caos
Há também esperança
naquele abraço genuíno
no sorriso espontâneo
no grito que diz
mais do que as palavras que se ouve.
No meio do vazio há força
tanta força que cria matéria
para a resistência
Às pessoas fazem coisas
que não entendemos
pois não somos o outro.
E mesmo que eu queira dar conta do mundo
Antes preciso dar conta de mim.

Sara.

Uma Carta para Mim.

Eu preciso que você respire
e que não desista.
Não dê o seu melhor,
dê o que você conseguir dar.
Está difícil e eu entendo.
Nós já estivemos neste lugar antes.
Conhecer não é a mudança,
mas pode começá-la.
Eu preciso que você seja a pessoa que você é,
mais do que seu esforço
quero a sua atenção.
Eu preciso que você peça ajuda
e que se alimente.
Eu preciso que você olhe a sua volta
e perceba a natureza que te cerca
e se as lágrimas vierem, deixe-as vir.
Eu preciso que você tenha paciência
com você e com os outros
e não finja que nada está acontecendo.
Não esconda seus sentimentos,
mas fale  o que você conseguir falar.
Eu estou com você.
Resistir também é
Re-Existir,
deixar fluir
os sentimentos bons e ruins
Tomar fôlego
pra continuar desejando
estar aqui.

Sara.

(des)Amor.

Do desamor que habita em mim
ao desamor que habita o mundo

um laço profundo.
Parece onda do Mar
que repuxa
e faz você se sentir frágil, pequeno
incapaz de conter aquela força.
Ora é raiva, ora é medo
ora é dor.
Parece chuva que não molha
abraço que não dura
Parece aço que perfura
a terra
em busca de algo que não é dele.
Aqui
a raiva faz tremer
e o desejo de matar
sentimentos
aniquila a paciência.
Aqui jaz amor
entranhado
machucado
perdido
Entre o amor que habita em mim
e o amor que habita o mundo

um laço profundo
entrecortado
por outros sentimentos
Caóticos
como se recém saídos de Pandora
trôpegos
Fascinados pelos neons da violência
Onde há amor,
Há também desamor
E é dessa tensão
que nasce a Luta.

Sara.

*Dedicado à Marielle Franco.