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Deixa

Deixa vir esse cabelo no rosto
essas lágrimas guardadas
essas palavras não ditas
que te entopem.

Deixa,
Deixa nascer um espaço entre n-ó-s.
para que alguém possa respirar
depois de uma crise de choro.

Deixa,
Deixa o tempo andar devagar
e te olhar
para ver como é que você está se fazendo
se moldando, se construindo.

Deixa,
Deixa o silêncio surgir sorrateiro
trazendo a tona o barulho
que antes estava aqui

Deixa,
Deixa a sua vontade dizer firme que te incomoda o desejo
O desejo de um outro alguém
Deixa
Deixa a gente ganhar espaço,
alçar voos distantes.

Deixa,
Deixa eu pousar um instante
para recuperar o fôlego
Depois do esforço
de tentar te fazer apaixonar...

Deixa,
Deixa o espaço se fazer entre nós
e quando ele tiver se instalado
a gente olha.

Sara.
Postagens recentes

Rubel - Quando Bate Aquela Saudade

Quando Bate Aquela Saudade
Rubel


É você que tem
Os olhos tão gigantes
E a boca tão gostosa
Eu não vou aguentar

Senta aqui do lado
E tira logo a roupa
Esquece o que não importa
Nem vamos conversar

Olha bem mulher
Eu vou te ser sincero
Quero te ver de branco
Quero te ver no altar

Não tem medo não
Eu sei vai dar errado
A gente fica longe
E volta a namorar depois

Olha bem mulher
Eu vou te ser sincero
Eu to com uma vontade danada
De te entregar todos beijos que eu não te dei
E eu to com uma saudade apertada
De ir dormir bem cansado
E de acordar do teu lado pra te dizer
Que eu te amo
Que eu te amo demais

Olha bem, mulher
Eu vou te ser sincero
Quero te ver de branco
Quero te ver no altar

Não tem medo, não
A gente fica longe
A gente até se esconde
E volta a namorar depois

Que é você que tem
Os olhos tão gigantes
E a boca tão gostosa
Eu não vou aguentar

Olha bem, mulher
Eu vou te ser sincero
Eu tô com uma vontade danada
De te entregar todos beijos que eu não te dei
E eu tô com uma saudade ape…

Contraponto.

Foi quando um contraponto aconteceu...           Meu andar altivo encontrou seu andar ensimesmado Meu olhar furtivo encontrou seu olhar doce. Minhas longas conversas encontraram suas perguntas profundas e certeiras. Foi quando eu vi a idade da minha alma Ao me deparar com a idade da sua. Foi nas nossas conversas inteligentes que vi os nossos interesses em comum. Foi quando você segurou minha mão, que eu percebi o tamanho do meu passo. Assim que você se mostrou confusa eu vi nascer a certeza da impermanência entre nós. Nós somos um contraponto, Que ora se encontra, ora se distancia. Mas seu sorriso terno E meu olhar amoroso se misturam Quando a gente se olha no começo do dia. Minha alta exposição encontrou seu mistério. Minha mão encontrou seu cabelo E sua boca a minha orelha E foi amor à primeira vista entre eles. Mas também foi onde você não me prometeu a eternidade E eu aceitei a transitoriedade
de nós. Foi quando aconteceu A minha intensidade encontrou o seu breu E se dissipou, s…

Sobre a Permanência.

Nós somos ausências complementares
Estamos no mundo buscando a permanência
As incertezas da realidade nos fazem crer que precisamos permanecer
Eu já quis entender por que fico.
Por que insisto em marcar os lugares que passo.
Eu sou um presente constantemente ausente.
Muitos se escondem nos meus braços
porque desconhecem os mares em que me afundo.
Se soubessem, o que fariam?
Me faço porto seguro
alma constante
abraço longo e estável
Sabem os céus as dores do meu peito.
Sabem também como posso ser desfeito
Eles não dão trégua
sempre me lembrando
o lugar em que estou
e para onde vou.
O destino me prega um olhar profundo
com uma calma certeira
que busca a (minha?) permanência
Eu sou uma presença constantemente ausente.


Sara.

A sede da minha Alma.

A minha alma tem sede
de cheiros que inundam minhas narinas
e me absorvem por dentro.

A minha alma tem sede
de coisas que façam meus olhos brilharem
e preenchem minha vida de significado.

A minha alma tem sede de olhar nos olhos
de alguém amado e sentir
aquele frio no peito
aquela sensação de constrangimento e satisfação.

A minha alma tem sede de sentir a paz
que outrora eu senti,
mas que hoje me assombra
como a confirmação
da minha ruína.

A minha alma tem sede de se sentir segura
e acolhida por existir.
A minha alma tem sede de ti.

A minha sede tem alma e pede calma
para os meus desejos desenfreados.
A minha sede tem alma e sabe ser contida
sem se quer uma palavra dita.
A minha sede tem alma
e nem parece sede
de tão calma.
A minha sede talvez não seja sede,
mas seja alma verde.
A minha alma se acalma e deixa de ser sede.

Sara.

Receita de Amor Próprio

Enche a tua cabeça de sonhos
Deita sobre a sombra de uma árvore
Escolhe um livro que te acolhe
Encosta a sua alma na terra
troca um abraço profundo com alguém especial pra você
Se deixa cair um momento
expressa teu amor pelo vento
Respira um aroma que você gosta
Relaxa um pouco as tuas costas
Se deixa tocar pelo silêncio
Se toma um pouco pra si
para de responder os outros por um momento.
Se toca,
se sente,
Consente
respira seu próprio ar
se permita se amar.


Sara.



















Flor do Pequi.
Árvore nativa brasileira.

Revoada

E se foi.
Veio mesmo sem querer
e tinha pouco pra dizer,
mas até que gostou de estar ali.
Perto, tão perto que não sabia
que ela era tão sapiente
quanto um sabiá que pousa
na sua janela e canta sobre sua vida.

Era alguém que sentia o peso do mundo
e tinha um medo profundo
de se abandonar.

Certa vez olhou uma revoada de pássaros
e sentiu vontade de chorar.
Era tão pequena
de coração simples
e palavras complexas.

Ela era tudo que queria,
mas não sabia
que podia se amar.

Era tão benevolente
que sentia o coração ardente
com vontade de ajudar.
Duvidava se naquelas entranhas rígidas
que a vida teimou em lhe dar
não tinha egoísmo, desamor,
dor e vontade de queimar.

Era tantas que já não sentia
que podia se juntar
tinha feito arremesso
de si mesmo sobre o mar.

Ela se foi.
Estava voando
e não sabia voltar.

Sara.


Fonte: https://brisanordestina.wordpress.com/tag/revoadas/