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Trechos dos meus pensamentos na chuva.



Trechos dos meus pensamentos enquanto caminho na chuva:
Não me importo,
algo em mim desprendeu-se do tempo.
Os olhares em rostos que exprimem solidão,
o mar revolto e a fúria dos ventos.
O andar de alguém que mergulha nos próprios pensamentos
a procura de refúgio.
O silêncio que esconde a dor e que maltrata,
acalenta e satisfaz ao mesmo tempo a mesma pessoa.
Não basta dizer sim ou não para a vida,
tem-se que ter um propósito dizia alguém na rua.
Ouço o canto de pássaros,
e sinto vontade de voar,
mas entristeço, pois percebo que não tenho asas.
As palavras me libertam, mas há sempre algo que escapa de ser escrito.
E o que não é escrito é guardado ou esquecido
em um íntimo lugar das profundezas do meu ser.
As lágrimas já não vem a face e os olhos parecem estar secos
como árvores do sertão.
Sento-me no chão, pois a vontade de sumir é imensa demais para suportar de pé.
Cabe ao futuro decidir se verei ou não o próximo nascer do sol.
Molho meu rosto pensando em acordar dos pesadelos em que imersa caminho
ao longo de minha vida.
Debaixo da ponte passa um rio de águas transparentes que não refletem meu rosto.
Um gato passa por mim, mas eu finjo não vê-lo e ele desfaz de mim.
Uma música que não sai da minha mente, diz que no fim do mundo todas as palavras de nada valerão
se um  homem se perder do caminho, ele pode achar outro, mas nunca será o mesmo.
Palavras são apenas palavras, que despercebidas traduzem a alma do ser.

Sara.

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(des)Amor.

Do desamor que habita em mim
ao desamor que habita o mundo

um laço profundo.
Parece onda do Mar
que repuxa
e faz você se sentir frágil, pequeno
incapaz de conter aquela força.
Ora é raiva, ora é medo
ora é dor.
Parece chuva que não molha
abraço que não dura
Parece aço que perfura
a terra
em busca de algo que não é dele.
Aqui
a raiva faz tremer
e o desejo de matar
sentimentos
aniquila a paciência.
Aqui jaz amor
entranhado
machucado
perdido
Entre o amor que habita em mim
e o amor que habita o mundo

um laço profundo
entrecortado
por outros sentimentos
Caóticos
como se recém saídos de Pandora
trôpegos
Fascinados pelos neons da violência
Onde há amor,
Há também desamor
E é dessa tensão
que nasce a Luta.

Sara.

*Dedicado à Marielle Franco.





Flor solitária...

Eu sou como a flor que nasce nas pedras, estou incansavelmente lutando para sobreviver todo dia, toda hora , o tempo inteiro.                                                   O sol vem abater-me com sua fúria infernal, e as pedras vem sufocar minha raiz, e em busca de terra pra me proteger  estou enfraquecendo a cada dia, não é culpa de ninguém eu ter nascido num lugar tão devastado pelo sofrimento, talvez fosse preciso para que este lugar tivesse algo a oferecer ao mundo. O único afago que recebo é a chuva que me acaricia e me fortalece para que eu possa sobreviver neste lugar, aqui é como uma prisão ao céu aberto, eu não sei se algum dia sairei daqui. Fico imaginando um pasto verde forrado de flores como eu, e todas sorriem para o sol pois ali ele não as castiga, mais sim, as conforta com seu calor. E quando me parece que tudo está perdido a chuva vem afagar-me com suas gotas celestiais, e em todo canto que olho ninguém é igual a mim, não há um ser para me fazer companhia. A minha…

Deixa

Deixa vir esse cabelo no rosto
essas lágrimas guardadas
essas palavras não ditas
que te entopem.

Deixa,
Deixa nascer um espaço entre n-ó-s.
para que alguém possa respirar
depois de uma crise de choro.

Deixa,
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e te olhar
para ver como é que você está se fazendo
se moldando, se construindo.

Deixa,
Deixa o silêncio surgir sorrateiro
trazendo a tona o barulho
que antes estava aqui

Deixa,
Deixa a sua vontade dizer firme que te incomoda o desejo
O desejo de um outro alguém
Deixa
Deixa a gente ganhar espaço,
alçar voos distantes.

Deixa,
Deixa eu pousar um instante
para recuperar o fôlego
Depois do esforço
de tentar te fazer apaixonar...

Deixa,
Deixa o espaço se fazer entre nós
e quando ele tiver se instalado
a gente olha.

Sara.